Backer cita dificuldade em negociação com potencial investidor e ganha mais tempo até votação do plano de recuperação judicial

Cervejaria, que acumula passivo impulsionado por caso de contaminação, pediu 45 dias até análise da reestruturação
Tonéis da Cervejaria Backer
Backer está em recuperação judicial desde 2023. Foto: Divulgação

A Cervejaria Três Lobos, dona da marca Backer, conseguiu pela terceira vez o adiamento da votação do plano de recuperação judicial da empresa, que acumula dívida superior a R$ 146 milhões. 

A assembleia de credores destinada à análise do documento, ocorrida nessa segunda-feira (19), terminou sem a análise da proposta de reestruturação. A etapa será retomada em 10 de dezembro.

Ao solicitar — e receber — a dilação de prazo, a companhia apontou “dificuldades no avanço de negociações” com potenciais investidores. Conforme a ata da sessão dessa segunda-feira, “um novo grupo manifestou interesse nas tratativas, sendo necessária, contudo, a concessão de um novo prazo de 45 dias para a estruturação de soluções definitivas a serem incorporadas ao plano”.

Também de acordo com a cervejaria, existe a perspectiva de desfecho positivo em uma outra ação judicial, o que pode provocar mudanças positivas no plano de recuperação judicial.

A Backer era a responsável pela fabricação das cervejas com o rótulo Belorizontina. No início de 2020, 10 pessoas morreram por causa de contaminação de unidades da bebida por dietilenoglicol. O caso ainda deixou 16 consumidores com sequelas consideradas graves, como cegueira, paralisia facial e comprometimento das funções renais.

Outra esfera

Em novembro do ano passado, os 11 réus acusados de participação no processo que culminou na contaminação foram absolvidos. Na semana passada, a família de uma das 10 vítimas apresentou recurso ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) pleiteando a reversão da sentença.

Maria José de Moraes Quintão, viúva de Antônio Márcio Quintão de Freitas, que morreu em janeiro de 2020 depois de beber cerveja Belorizontina, pede a condenação da sócia Ana Paula Silva Lebbos por adulteração de bebida com resultado morte e de quatro integrantes da área técnica da cervejaria por homicídio culposo.

Segundo Maria José, a sentença do ano passado não examinou um documento referente ao financiamento do tanque cujo furo foi apontado como única causa comprovada da contaminação. De acordo com a esposa de Antônio Márcio, a operação de crédito que custeou o tanque foi avalizada por Ana Paula Lebbos em julho de 2019, quando a Justiça considerou que ela estava afastada da empresa.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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