A ausência mineira sentida na Marcha dos Prefeitos, em Brasília

Evento que, historicamente, dá palco às principais lideranças do movimento municipalista conta com 12 mil inscritos
Marcha prefeitos
Prefeitos ouvidos pela reportagem avaliam que ausência pode ter sido menos acidental e mais um “sintoma” do atual cenário do municipalismo mineiro. Foto: Bartholomeu / Agência CNM

A ausência do 1º vice-presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Dr. Marcos Vinicius (sem partido), criou um vácuo simbólico na XXVI Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, maior evento municipalista da América Latina. Alegando falha na aeronave que o levaria à capital federal, o ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e ex-prefeito de Coronel Fabriciano não compareceu aos debates e articulações que movimentaram prefeitos de todo o país.

O timing da ausência foi assunto entre os gestores municipais. Prefeitos ouvidos por O Fator avaliam que o não comparecimento pode ter sido menos acidental e mais um “sintoma” do atual cenário do municipalismo mineiro. Dr. Marcos Vinicius disputou — e perdeu — a eleição da AMM para o prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, no mês passado, em 4 de abril. Foram 361 votos para Falcão e 288 para Dr. Marcos Vinicius.

A pré-campanha, a campanha e até mesmo a eleição ocorreram em clima tenso, de forte disputa. E não era para menos. Em 72 anos de existência, essa foi apenas a terceira eleição com mais de uma chapa na Associação — as outras foram definidas por acordos.

O voo de Falcão

Falcão, por sua vez, marcou presença em Brasília desfilando com prefeitos da direita e da esquerda pelo evento. A “independência partidária”, aliás, foi a justificativa dada pelo político para se desfiliar do Novo logo após a eleição da AMM. Nos bastidores, porém, a leitura é a de que o governador, ex-correligionário de Falcão, não o apoiou abertamente e chegou a participar de vários eventos realizados por Dr. Marcos Vinicius, fato que teria criado arestas entre o prefeito de Patos e Zema.

Também presente na Marcha, e esperando encontrar pela primeira vez Dr. Marcos Vinicius e Falcão como líderes municipalistas em um mesmo espaço, o governador adotou tom institucional no discurso, destacando o bom relacionamento que mantém com a entidade. Zema defendeu, ainda, o fim do mínimo constitucional da educação para as prefeituras, em um afago claro aos gestores municipais, que, como era esperado, aprovaram a ideia.

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