Os primeiros nomes escolhidos pelo prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), para integrar o primeiro escalão do Executivo municipal, geraram reclamações de dirigentes de partidos que apoiaram a reeleição do prefeito Fuad Noman. Uma das legendas insatisfeitas é o Solidariedade, que compôs a coligação liderada pelo PSD no ano passado e pleiteava ocupar a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, agora chefiada pelo ex-vereador Rubão, do Podemos.
Antes da reviravolta que culminou na indicação de Rubão, o Solidariedade mantinha conversas para ter no cargo o ex-atleta José Francisco Filho, o Pelé do Vôlei. O PSDB, que desejava emplacar o ex-vereador Reinaldinho, também reivindicava a pasta de Esportes.
A O Fator, o deputado estadual Professor Wendel Mesquita, uma das lideranças do Solidariedade em Minas Gerais, criticou o que chamou de “falta de retorno de Damião”.
“Abrimos mão de lançar uma candidatura própria em 2024 para apoiar Fuad e Damião. O mínimo que o Damião deveria ter era respeito com o Solidariedade, primeiro partido a abraçar a campanha deles. Agora que Fuad faleceu, o prefeito Damião não respeitou a construção que foi feita e a mudou completamente. Confesso que estou muito chateado”, afirmou o deputado.
A crítica é a mesma no PSDB. Sob reservas, dirigentes do partido afirmaram que os tucanos abdicaram de lançar a candidatura do ex-deputado João Leite para apoiar a reeleição de Fuad Noman. Segundo tucanos, a prerrogativa de indicar o secretário de Esportes teria sido garantida à agremiação logo após o segundo turno.
Rubão, o novo secretário, é ligado à “Família Aro”, nome dado ao grupo político liderado pelo secretário de Estado de Governo de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP).
Na semana passada (4), ao anunciar Rubão e três outras mudanças no secretariado — Leonardo Castro (Política Urbana), André Reis (Assistência Social) e Márcio Lobato (Segurança e Prevenção) — Damião minimizou a existência de insatisfações de partidos aliados quanto às nomeações no primeiro escalão. O prefeito disse não ter sido cobrado, por exemplo, quanto a uma possível lentidão nas escolhas, uma vez que cargos importantes estavam vagos por causa da situação médica de Fuad, afastado por quase três meses.
“Eu acho que a palavra não é ‘reclamar’. Eu acredito que os partidos da base entendem o momento. Comigo não teve cobrança nenhuma. Esses diálogos com partidos a gente não estava protelando, a gente estava aguardando. Nenhum representante de partido chegou até mim para fazer qualquer tipo de cobrança”, assegurou.
PSDB
Em nota, o deputado federal Paulo Abi-Ackel, presidente estadual do PSDB, negou a indicação do ex-vereador Reinaldinho Oliveira para a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer.
“Ao contrário do que afirmou o portal O Fator, o PSDB de Minas Gerais jamais estabeleceu entendimentos com o saudoso prefeito Fuad Noman sobre indicações de nomes a cargos para a administração municipal.
A especulação revela um evidente desconhecimento sobre a conduta política do PSDB-MG, que, desde o início, tratou seu apoio à candidatura de Fuad em termos programáticos, e não fisiológicos.
Tal fato inclusive já foi objeto de diversas manifestações em entrevistas anteriores a esse portal. Qualquer insinuação em sentido contrário é motivada por desinformação ou especulação de interessados não autorizados.
Deputado Federal Paulo Abi-Ackel
Secretário-geral do PSDB e presidente do PSDB-MG”