A migração de Mateus Simões para o PSD mal foi anunciada e a disputa pela vaga de candidato a vice-governador de Minas Gerais na chapa que Simões liderará em 2026 já esquentou. O Novo, partido que o governador em exercício deixou, acredita ter preferência para indicar o ocupante do posto. Interlocutores do PSD, contudo, desconversam e alegam que a definição só ocorrerá a partir de julho do ano que vem, durante o período das convenções partidárias.
Na balança, pesam contra o Novo a isenção do tempo de TV e o baixo capital político em Minas, limitado atualmente ao governador Romeu Zema, pré-candidato à Presidência da República. Simões, aliás, já firmou compromisso de estar no palanque de Zema no ano que vem, independentemente de uma eventual candidatura nacional do PSD.
Já gravada, a primeira propaganda partidária, aliás, vai apresentar o vice-governador como o fiel escudeiro de Zema. A peça também citará que os pessedistas já são parte do arco de alianças do Palácio Tiradentes.
Mas o barco ainda precisa comportar outras legendas. E são muitas. Na mensagem enviada ao Novo, Simões, inclusive, dá nome aos aliados.
“É hora de reunir forças, ampliar pontes e garantir que PSD, Novo, a federação PP/União Brasil e partidos que sempre estiveram conosco, como Podemos, Solidariedade, PRD, Mobiliza e DC, estejam juntos em torno de um mesmo propósito. Seguimos também abertos ao diálogo com o PL e os Republicanos”, afirmou.
Novos nomes
Para fortalecer o partido, o Novo cogita convidar nomes fortes a integrar os quadros de filiados, inclusive para fechar a chapa majoritária, segundo confirmam interlocutores. Outros, mais pessimistas, acreditam que o partido perdeu as chances de estar representado na chapa majoritária após a migração de Simões. Há, ainda, a crença de que a desfiliação do governador em exercício pode causar a debandada de pré-candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados.
Em mensagem interna enviada a filiados, no entanto, o presidente do diretório mineiro do Novo, Christopher Laguna, disse que a migração de Simões para o partido de Gilberto Kassab tem o objetivo de “dar continuidade” à atual administração estadual.
“O PSD também se junta ao Novo e aos demais partidos que já compõem a coalizão que busca reunir a direita e a centro-direita em Minas, com o objetivo de impedir a volta da esquerda ao poder”, afirmou.
A filiação de Simões PSD está agendada para a próxima segunda-feira (27). O movimento é estratégico para o vice-governador, já que o partido de Gilberto Kassab possui uma bancada com mais de 20 deputados federais e garante um tempo significativo de televisão.