A cidade mineira que terá de cobrir rombo previdenciário causado por investimento no Master

Prejuízos causados por liquidação do banco de Daniel Vorcaro serão de responsabilidade de entes federados que investiram em letras
A fachada do Banco Master
Banco Central determinou a liquidação do Master. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Prefeitura de Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, terá de arcar com o prejuízo que a previdência municipal sofreu com a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro do ano passado. O sistema de aposentadorias e pensões da cidade, conhecido pela alcunha Prevcon, tinha R$ 16,5 milhões atrelados a letras de crédito da instituição financeira.

A O Fator, o Ministério da Previdência Social informou que a função de arcar com eventuais rombos nos sistemas previdenciários locais é de estados e municípios.

“Por determinação da Lei nº 9.717/98, os Estados e Municípios são os responsáveis diretos por garantir o pagamento de aposentadorias e pensões de seus servidores caso os recursos acumulados pelos regimes próprios de previdência sejam insuficientes. Na prática, isso significa que o ente federativo (Estado ou Município) é o garantidor final do sistema, devendo cobrir eventuais faltas financeiras para assegurar que todos os benefícios sejam pagos integralmente”, informou a pasta.

Congonhas aportou R$ 14 milhões no Master em maio do ano retrasado. Como O Fator mostrou à época da liquidação, o investimento rendeu R$ 2,5 milhões. Por isso, a previdência municipal passou a ter, junto ao banco, um saldo de R$ 16,5 milhões.

Segundo a Previdência Social federal, o ônus de arcar com os déficits nos sistemas de aposentadorias e pensões não pode ser transferido aos beneficiários.

“O Ministério ressalta, ainda, que não existe qualquer previsão na legislação para a criação de cobranças extras, taxas suplementares ou contribuições adicionais de servidores ativos, aposentados e pensionistas para cobrir eventuais déficits financeiros desses regimes”, apontou.

No último relatório detalhado da carteira de investimentos da Prevcon, divulgado em outubro, há menção a um patrimônio de R$ 593,9 milhões. Assim, a porção entregue ao Master corresponde a apenas 2,78% dos ativos.

Sem FGC

O tipo de título em que Congonhas investiu não tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), poupança destinada a proteger aportes em renda fixa em bancos que acabam liquidados ou sofrem intervenção.

Previdências municipais e estaduais que investiram no Master detinham, juntas, cerca de R$ 1,8 bilhão antes da liquidação. Quase metade desse valor — R$ 1 bilhão — foi aportado pela Rioprevidência, que controla benefícios pagos a servidores inativos e a pensionistas ligados ao estado do Rio de Janeiro. 

O rombo do banco de Daniel Vorcaro ultrapassa os R$ 12 bilhões. A instituição é acusada de ter criado uma empresa, a Tirreno, a fim de cobrir o déficit por meio da simulação de créditos consignados inexistentes. Os papéis fictícios foram negociados com o Banco de Brasília (BRB), que pagou R$ 12 bilhões pela carteira.​

Nesta semana, a Justiça dos Estados Unidos da América (EUA) reconheceu a liquidação do Master, determinando o bloqueio de contas e ativos no país.

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