A ‘colinha’ com Marília e candidatos do PT a deputado produzida pela campanha de Aécio

Iniciativa faz parte da estratégia do tucano para os últimos dias antes das eleições
O deputado federal Aécio Neves
Aécio Neves é o presidente nacional tucano. Foto: Alex Loyola/PSDB na Câmara

A campanha de Aécio Neves (PSDB) ao Senado encomendou a impressão de 100 mil “colinhas” que pedem votos não apenas a ele, mas também a Marília Campos, que concorre ao mesmo cargo pelo PT, e a outros dois petistas: Luizinho, que tenta a reeleição na Assembleia Legislativa (ALMG), e Gleide Andrade, que busca uma vaga na Câmara dos Deputados.

No verso do santinho, o CNPJ da candidatura de Aécio aparece no campo atribuído à campanha responsável pelo pagamento. Os campos do material destinados ao governo de Minas Gerais e à Presidência da República foram deixados em branco. Enquanto o PT tem Patrus Ananias na corrida pelo Palácio Tiradentes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputando a reeleição, o PSDB apoia Alexandre Kalil (PDT) para governador. Para o Palácio do Planalto, os tucanos optaram pela neutralidade.

A produção dos santinhos representa mais um capítulo da dobradinha “Marécio”, nome dado à combinação informal de votos que mescla Marília e Aécio.

Nos bastidores petistas, a avaliação é de que, mesmo extraoficial e sem endosso público de Marília, a dobradinha prejudicou o desempenho da ex-prefeita de Contagem em pesquisas recentes.

Já o entorno do tucano vê a aliança como benéfica. Segundo apoiadores, o presidente nacional do PSDB pode receber uma representativa porcentagem de segundos votos dos eleitores que têm Marília como primeira opção.

Para todos os gostos

A expedição de santinhos com nomes de deputados de diferentes partidos, do PT ao PL, é uma das grandes estratégias de Aécio para a reta final. São cerca de 800 versões diferentes de “colinhas”.

Procurada pela reportagem, a assessoria do tucano informou que a campanha do postulante ao Senado produziu materiais solicitados por candidatos proporcionais de vários outros partidos.

Sem autorização

Gleide Andrade, por sua vez, afirmou a O Fator que não aprovou a impressão dos santinhos pagos pela campanha de Aécio.

“Infelizmente, não é raro esse tipo de ocorrência nas disputas eleitorais, com distribuição de materiais, principalmente do tipo colinha, que associam candidatos que estão em chapas diferentes. Reafirmamos o nosso compromisso com o time do Lula. A campanha vai comunicar o fato à Justiça Eleitoral e adotar as providências cabíveis contra a produção e a distribuição desse material”, lê-se em um trecho da nota enviada por sua assessoria.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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