As dissonâncias entre o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), e o agora ex-secretário municipal de Relações Institucionais, Paulo Lamac (Rede Sustentabilidade), começaram ainda no ano passado, durante a tramitação, na Câmara Municipal, de uma reforma administrativa apresentada pelo reeleito Fuad Noman (PSD) com vistas ao segundo mandato.
À época, segundo fontes ouvidas por O Fator, a articulação com a Câmara ficou basicamente por conta de Damião, que havia assumido um papel de interlocução da prefeitura com os vereadores depois da saída do então secretário de Governo, Anselmo Domingos. Na avaliação de aliados de Damião, Lamac foi uma ausência sentida durante as conversas pelo projeto.
A relação voltou a balançar no início de janeiro, quando Fuad se licenciou do mandato de prefeito para cuidar da saúde. Embora tenha assumido a prefeitura interinamente, Damião revelou a terceiros ter sentido um “esvaziamento” proposital de suas atribuições por outros setores da prefeitura, entre eles o de Lamac.
Ainda em janeiro, a reboque da reforma administrativa, um decreto deu mais protagonismo à pasta de Relações Institucionais na relação com o Legislativo. A tarefa de interlocução junto aos vereadores, antes concentrada na Secretaria de Governo, comandada por Guilherme Daltro, aliado de primeira hora de Damião, passou a ser dividida entre as pastas.
Já a “gota d’água” da relação teria sido um comentário crítico de Lamac a recentes nomeações feitas por Damião na prefeitura. O prefeito não estava presente na reunião, mas aliados relataram ao chefe do Executivo o teor da fala.
A saída do secretário de Relações Institucionais foi antecipada nesta segunda-feira (26) por O Fator.
Paulo Lamac estava na Prefeitura de Belo Horizonte desde março do ano passado. Vice-prefeito no primeiro mandato de Alexandre Kalil, entre 2017 e 2020, voltou ao Executivo municipal para chefiar a já extinta Secretaria de Assuntos Institucionais. Ao voltar ao dia a dia do poder público, ganhou espaço como um dos principais articuladores políticos de Fuad Noman.
Durante o período eleitoral do ano passado, Lamac se licenciou do cargo público que ocupava para atuar na coordenação da campanha do pessedista.
Interlocutores com bom trânsito junto a Lamac acreditam que a saída da PBH o fará se dedicar exclusivamente ao posto de porta-voz nacional da Rede. A função, similar ao cargo de presidente existente em outras legendas, demanda debates e conversas com correligionários de todo o país.