A ‘data dos sonhos’ de interlocutores para assinar a repactuação de Mariana

Últimas reuniões tiveram tom otimista e fontes revelam expectativas para, enfim, acabar com a longa negociação
Vista de área atingida pela tragédia de Mariana
O rompimento da barragem aconteceu em 2015 e provocou a maior tragédia ambiental do país. Foto: Corpo de Bombeiros MG/Divulgação

Interlocutores envolvidos nas negociações da repactuação de Mariana apontam o dia 6 de setembro como a “data dos sonhos” para a assinatura do acordo. O Fator ouviu de fontes que avaliam a sexta-feira da semana que vem, que antecede o Dia da Independência do Brasil, como uma data simbólica, “ideal” para anunciar o novo pacto de reparação pelo rompimento da barragem de Mariana e, mais importante ainda, “perto”, algo relevante uma vez que as negociações já duram mais de três anos.

A expectativa é que, “dando tudo certo” nos próximos dias, com as instituições, governos e empresas acertando detalhes ainda pendentes do texto final, a assinatura do acordo possa acontecer durante um evento em Brasília no dia 6 – nesse cenário, a ideia seria contar com a presença de Lula, dos governadores Romeu Zema (MG) e Renato Casagrande (ES), além de representantes das mineradoras e outros atores-chave do processo.

Apesar da expectativa, a data ainda é mais um desejo do que realidade. Um dos interlocutores que conversaram com a reportagem ironizou que o acordo está “próximo de ser assinado” desde 2022. De fato, há quem aponte que o momento decisivo da repactuação foi no final da gestão Jair Bolsonaro, quando a União parecia mais alinhada aos governos estaduais na negociação. O timing se perdeu e tudo praticamente recomeçou no início de 2023, com a chegada da mediação do TRF-6.

A propósito: há uma reunião nesta terça-feira (27), em Brasília, que vai tratar sobre o atual momento das negociações. O encontro terá participação de atores mineiros do processo, como Zema e o procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares.

Avanços e Desafios

Como O Fator mostrou na semana passada, últimas rodadas de negociação terminaram com otimismo pela assinatura do acerto, mas com divergências a serem resolvidas. O foco atual está no ajuste do texto final do acordo.

“Estamos agora mais na fase de redigir o texto final, que precisa ser bem feito, do que exatamente negociando”, afirma uma pessoa com conhecimento direto às negociações.

Os valores estimados na repactuação giram em torno de R$ 100 milhões em novos recursos, excluindo gastos anteriores com a Fundação Renova.

Pontos Pendentes

Ainda há questões a serem definidas nos seguintes tópicos:

  1. Tratamento do mercúrio no rio e margens
  2. Retirada de rejeitos do Rio Doce
  3. Valores de indenização individual
  4. Inclusão de processos judiciais no acordo
  5. Repasses para comunidades tradicionais

Mudança na Vale

A Vale anunciou, na noite desta segunda (26), que Gustavo Pimenta será o novo presidente da mineradora a partir do próximo mandato, que terá início no final deste ano. A mudança caiu bem na avaliação de alguns dos negociadores, que avaliam que a atual diretoria possa “dar celeridade” e buscar encerrar o assunto da repactuação antes da transição.

Pressões Externas

Outros dois fatores estariam fazendo as partes avançarem nas negociações:

  1. Proximidade das campanhas municipais
  2. Julgamento da ação contra a BHP Billiton em Londres, previsto para 7 de outubro

Leia também:

Juiz manda secretários de prefeitura mineira devolverem 13º salário considerado ilegal

Em defesa do interesse dos mineiros de todas as cidades

Por que deputados do PT não mergulharam nas conversas sobre candidatura ao governo de MG

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse