‘A Invest Minas deixou de ser reativa e passou a mostrar ao mundo o potencial de Minas Gerais’, diz João Paulo Braga, de saída da agência

Presidente da agência de atração de investimentos do governo Zema fala a O Fator e prepara saída da gestão
João Paulo Braga estava na presidência da agência desde 2021. Foto: Agência Minas

De saída da presidência da Invest Minas após quatro anos no comando, o economista João Paulo Braga está satisfeito com os resultados alcançados. À frente da agência desde 2021, Braga disse, em entrevista a O Fator, que encerra o ciclo satisfeito com os resultados: foram cerca de R$ 500 bilhões em investimentos atraídos para o Estado e a marca de 1 milhão de novos empregos. A transição já está em andamento e o ex-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), Rodrigo Tavares, assumirá a função nos próximo dias.

Formado em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e mestre em Desenvolvimento Econômico pela Universidade da Pensilvânia, Braga avalia que a Invest Minas consolidou uma postura mais proativa durante sua gestão. Segundo ele, a estratégia de mapear o potencial de cada região do Estado e apresentá-lo diretamente a investidores ajudou a transformar a agência no “departamento comercial do governo”.

Nesse período, Minas Gerais registrou a chegada de grandes companhias internacionais — como Heineken, Amazon, Mercado Livre e Midea — e viu mais de 300 municípios receberem investimentos. A política de atração também resultou no ganho de relevância internacional, com ações como o Vale do Lítio, lançado na Nasdaq e reconhecido pela ONU, que posicionou Minas como referência em minerais estratégicos e transição energética.

Braga destacou ainda a sintonia entre diferentes áreas do governo estadual e a experiência empresarial do governador Romeu Zema como fatores determinantes para os avanços. De acordo com ele, dos mais de 1.100 projetos assinados desde 2019, cerca de 64% já saíram do papel, o que ajuda a explicar a elevação do número de trabalhadores formais em Minas de 4 para 5 milhões nos últimos anos.

A chegada de Rodrigo Tavares à presidência da Invest Minas marca seu retorno ao primeiro escalão do governo estadual. Ele deixou a chefia do DER-MG em agosto, quando foi substituído por Matheus Guimarães Novais, em uma mudança articulada politicamente pelo deputado federal Pinheirinho (PP), que tem outros planos para o órgão.

Confira a entrevista completa com João Paulo Braga:

  1. Como você avalia a sua gestão à frente da Invest Minas?

Foi uma gestão transformadora em todos os aspectos. Tivemos a oportunidade de consolidar a Invest Minas como uma instituição estratégica para o desenvolvimento do Estado. Nesse período, a agência atraiu cerca de R$ 500 bilhões em investimentos — um volume dez vezes superior à média do governo que nos antecedeu — que resultaram na criação de aproximadamente 1 milhão de empregos. Minas Gerais passou de 4 para 5 milhões de trabalhadores com carteira assinada, um crescimento de 25% em apenas alguns anos.

Criamos projetos de impacto global. Minas se tornou referência em transição energética, com a Invest Minas reconhecida pela ONU, além do Vale do Lítio, lançado na Nasdaq e hoje um dos destinos mais relevantes para minerais estratégicos. Grandes empresas como Heineken, Mercado Livre, Amazon e Midea escolheram Minas, e mais de 300 municípios — grandes e pequenos — foram beneficiados com investimentos atraídos pela agência.

Antes, a Invest Minas tinha uma postura mais reativa, aguardando os investidores. Nossa gestão imprimiu proatividade: entendemos as forças de cada região e mostramos ao mundo o potencial de Minas. Transformamos a Invest Minas no verdadeiro departamento comercial do governo.

Esse resultado só foi possível graças à liderança do governador Romeu Zema e ao trabalho conjunto de diferentes órgãos estaduais, que deram prioridade a essa agenda. Hoje, o mundo olha para Minas Gerais como um destino de negócios de primeiro nível, e tenho orgulho de ter contribuído para essa conquista.

  1. O governo diz que Minas Gerais tem batido recordes na atração de investimentos. A que fatores o senhor atribui essa marca de mais de meio trilhão de reais atraídos em um período tão curto? Quantos empregos serão gerados? Desse montante atraído, quantos por cento já está em implantação? Ou seja, quanto é realidade? Quantos empregos foram realmente gerados?

O sucesso de Minas Gerais na atração de investimentos se deve a alguns fatores muito claros. Em primeiro lugar, a trajetória empresarial do governador Zema fez toda a diferença: por conhecer a realidade e as dores do empresário, ele tem o olhar necessário para remover barreiras e viabilizar negócios. Em segundo lugar, há uma sincronia rara entre as diferentes áreas do governo, todas alinhadas na prioridade de gerar empregos e desenvolvimento.

No caso da Invest Minas, destaco a proatividade e a qualidade da equipe. É um time diferenciado, com mentalidade de negócios e senso de urgência. Muitas vezes, a Invest Minas consegue rodar mais rápido até do que as próprias empresas, compartilhando com o investidor a responsabilidade de fazer o projeto dar certo, porque sabe que sem isso não há empregos.

O resultado dessa combinação é impressionante: em quase sete anos, assinamos mais de 1.100 projetos de investimentos, dos quais 64% já saíram do papel. Isso significa impacto real na vida das pessoas e explica por que Minas atingiu a marca de 1 milhão de novos empregos no período.

  1. A estratégia do “Vale do Lítio” pretende atrair bilhões em investimentos para a extração do mineral. O senhor poderia detalhar quais são os planos do InvestMinas para atrair empresas de tecnologia e indústrias que produzem baterias ou outros produtos de maior valor agregado, para ir além da mineração?

O Vale do Lítio é um exemplo de como Minas Gerais combina recursos naturais com estratégia de desenvolvimento econômico. Nosso objetivo vai além da mineração: queremos atrair empresas de tecnologia e indústrias que transformem o lítio em produtos de maior valor agregado, como baterias.

O mercado americano e outros mercados globais enfrentam hoje uma necessidade estratégica: reduzir a dependência da China para insumos críticos, como o lítio. Minas Gerais pode se tornar um fornecedor confiável e diversificado, oferecendo lítio de qualidade, transformado em carbonato e hidróxido, para atender à demanda por baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. Isso representa uma oportunidade única para atrair investimentos, gerar empregos qualificados e consolidar o Estado como referência global em tecnologia e inovação de alta complexidade.

  1. Quais os próximos passos? O senhor vai ocupar outro cargo no governo?

Neste momento, estou dedicado a fazer a melhor transição possível e garantir que a Invest Minas siga com excelência. A partir da próxima semana, vou avaliar os próximos passos: se continuo contribuindo no governo Zema-Mateus, com o qual me identifico por sua seriedade, ou se sigo para o setor privado. Em qualquer cenário, meu sentimento é de ter concluído um ciclo de muito sucesso, que me traz um orgulho enorme e que impactou a vida de milhões de pessoas.

  1. A nomeação de Rodrigo Tavares, engenheiro com experiência no DER-MG, sinaliza prioridade do governo em infraestrutura, já que o setor é apontado, inclusive em pesquisas internas, como essenciais para o mineiro?

O Rodrigo é um quadro muito competente, com sólida experiência no DER-MG, e tem todas as condições de manter a régua alta e dar continuidade ao trabalho de qualidade da Invest Minas. Tenho uma ótima relação com ele e já estamos trabalhando juntos na transição para garantir total continuidade. A pauta de infraestrutura é, de fato, fundamental para Minas Gerais e tenho certeza de que o Rodrigo dará uma grande contribuição nesse processo.

  1. Como essa mudança pode afetar a gestão do InvestMinas? O senhor enxerga a transição como uma continuidade do trabalho atual ou como uma nova fase para a agência?

As premissas do governo Zema-Mateus se mantêm, e isso garante a solidez da política de atração de investimentos em Minas Gerais. Ao mesmo tempo, é natural que cada presidente imprima seu estilo pessoal — assim como eu fiz quando assumi a Invest Minas. Tenho plena confiança de que o Rodrigo dará continuidade ao trabalho, preservando o que foi construído e, ao mesmo tempo, trazendo sua própria marca para fortalecer ainda mais a agência.

  1. Em sua opinião, o setor privado de Minas Gerais está otimista com as recentes mudanças políticas e econômicas no estado?

O setor privado está otimista. O governador Zema resgatou Minas Gerais de uma situação extremamente difícil e reconstruiu a confiança no Estado. Hoje temos um ambiente muito mais sólido, sustentado por avanços em infraestrutura, liberdade econômica, profissionalismo, excelência na gestão, segurança jurídica e parcerias consistentes com empresas e prefeituras.

Esse conjunto de fatores mudou o patamar de Minas Gerais e fez do Estado um parceiro confiável, preparado para receber investimentos e gerar novas oportunidades.

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