A chegada do presidente nacional do PT, Edinho Silva, a Belo Horizonte nesta quinta-feira (6) deve mobilizar lideranças de partidos aliados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As conversas terão como foco as articulações para a disputa ao governo de Minas Gerais em 2026, estado considerado um dos principais palanques para a campanha de reeleição do chefe do Executivo estadual.
Além de participar de um jantar com lideranças mineiras do partido, o petista pretende se reunir com dirigentes de algumas siglas de esquerda na capital mineira – como Rede, Psol, PDT e PSB – e até com nomes do MDB, caso a agenda permita.
A ideia não é realizar conversas formais nem definir estratégias imediatas, mas aproveitar a oportunidade para promover encontros informais e reforçar a importância de construir uma frente ampla contra a direita.
Em meio a indefinições eleitorais, a avaliação do PT é de que não há tempo a perder no estado enquanto espera por uma definição de Lula e do senador Rodrigo Pacheco (PSD). A direita já se move em torno do vice-governador, Mateus Simões (PSD), que conta com o apoio da máquina estadual e de algumas siglas da base de Romeu Zema (Novo), como PP, União Brasil, Solidariedade e Podemos.
Por isso, a ordem entre os aliados do presidente é começar a organizar o campo pró-Lula, mesmo que ainda não se saiba quem será de fato o candidato do grupo em Minas Gerais. Para fazer essa ponte, Edinho, conhecido por ter boa relação até com partidos de direita, é quem ficará responsável pessoalmente por começar as conversas.
Cenário bagunçado
O cenário da esquerda no estado não poderia estar mais embaralhado. Lula quer que o Rodrigo Pacheco concorra ao governo estadual, mas o parlamentar segue desanimado com a ideia de disputar as eleições e ainda nutre esperanças de ser indicado a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Hoje, o favorito para a vaga é o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Interlocutores resumem que as decisões da esquerda em Minas passam diretamente por Pacheco, já que qualquer definição do senador contará com desdobramentos distintos. Caso decida concorrer, precisará migrar para outra legenda, uma vez que o PSD filiou, no último mês, Mateus Simões, que é pré-candidato à sucessão de Zema.
Uma das alternativas em avaliação é o MDB, que anunciou na terça-feira (4) o nome do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo como pré-candidato ao governo. Como mostrou O Fator, o plano da sigla é mobilizar pré-candidaturas em estados estratégicos para que, nos próximos meses, o MDB tenha mais trunfos nas negociações com Lula, que quer concorrer à reeleição.
Nos bastidores, lideranças emedebistas dizem que a pré-candidatura de Azevedo não impede a chegada de Pacheco na sigla, uma vez que o momento ainda não é de definição. No PSB, as portas também estão abertas. O senador mantém diálogo com o partido, que, por sua vez, conversa com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, cotado para disputar uma vaga ao Senado, mas que pode ser uma opção ao Palácio Tiradentes.
Dentro de casa
Essa possibilidade é considerada diante de um quadro em que Pacheco decida não entrar na disputa. Nessa hipótese, o PT precisará buscar outro nome. No partido, já foram cogitadas as possibilidades da prefeita de Contagem, Marília Campos, e da ministra de Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo. Marília, porém, tem planos de disputar o Senado e deve reafirmar isso na reunião com Edinho.
Conversas com Kalil
Outro personagem em cena é o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que se reunirá com Edinho na quinta-feira (6). O encontro deve marcar uma tentativa reaproximação entre o petista e o ex-prefeito, que em 2022 foi candidato de Lula ao governo mineiro. A relação com o PT azedou no pós-eleição, mas, no último mês, Kalil recebeu lideranças petistas em um jantar, em Brasília, após sua filiação ao PDT.
Segundo apurou O Fator, o ex-prefeito foi quem convidou Edinho para o encontro pedetista de quinta-feira, que também terá a presença do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Fontes próximas à cúpula do PT reconhecem que o partido não quer Kalil como cabeça de chapa, mas tampouco descarta o nome, por entender que precisa ter uma alternativa.
Mais opções
Outro nome que também é ventilado como opção para o PT é o do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Leite, do MDB. O deputado estadual recebeu sinalização interna dos emedebistas de que, independentemente da articulação em torno do ex-presidente da Câmara Municipal de BH, terá apoio da legenda quando decidir os rumos que tomará em 2026.