Em meio à incerteza sobre o comando do Republicanos em Minas Gerais, lideranças nacionais da sigla têm se mantido afastadas, pelo menos presencialmente, dos desdobramentos da operação da Polícia Federal (PF) que atingiu, na semana passada, o deputado federal Euclydes Pettersen, presidente estadual do partido.
O presidente do diretório nacional, Marcos Pereira, embarcou para Israel na quinta-feira (13), ao lado de nomes como o deputado federal Gilberto Abramo (MG), citado nos bastidores como eventual substituto de Pettersen em caso de mudança de comando em solo mineiro.
O Fator apurou que a viagem foi uma coincidência. A agenda em Israel estava definida há meses e reúne parlamentares da sigla ligados à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) — o que não é o caso de Pettersen.
Por ora, o deputado mineiro, que é suspeito de receber propina para proteger um esquema de descontos indevidos em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), segue no comando do partido. Interlocutores ligados ao Republicanos, porém, não descartam que o diretório mude de mãos, sobretudo caso as investigações da PF avancem.
Nesse cenário, Abramo surge como opção para sucedê-lo. Próximo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Abramo mantém boa relação com parlamentares do Republicanos no Congresso Nacional. Contra a possibilidade de que o deputado assuma a presidência do diretório estadual, pesa o fato de que Abramo já ocupa a liderança da legenda na Câmara.
O que diz a PF?
Na quinta-feira, agentes da PF cumpriram um mandado de busca e apreensão em face de Pettersen. Segundo a investigação remetida pela corporação ao Supremo Tribunal Federal (STF), os pagamentos feitos ao deputado para proteger os desvios totalizaram R$ 14,7 milhões.
Pettersen era citado nas planilhas de pagamento de propina da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) pelo apelido “Herói E”. Segundo a investigação, os valores eram repassados mensalmente, por meio de intermediários.
Em troca, conforme a PF, o deputado fornecia “proteção política” à Conafer para impedir investigações contra a entidade. O relatório policial aponta Pettersen como a pessoa mais bem remunerada na estrutura de pagamentos de propina do esquema.
Deputado se defende
Na semana passada, Pettersen emitiu nota para comentar a operação da PF. Ele garantiu estar “à inteira disposição” das autoridades para prestar esclarecimentos.
“Reitero que toda operação representa, para alguns, um fim, e para outros, uma libertação. Já fui alvo de duas operações: em uma delas, fui absolvido, e na outra, o Judiciário sequer recebeu a denúncia, por falta de provas que comprovassem qualquer prática criminosa”, apontou.
“Deixo claro que apoio integralmente o trabalho das autoridades competentes e me coloco à inteira disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários. Acredito na justiça, na verdade e na importância das investigações sérias, conduzidas dentro da legalidade e com total transparência”, completou.
O Fator também procurou Gilberto Abramo e Marcos Pereira, que não se manifestaram até o fechamento deste texto.