Uma coluna de opinião escrita pelo jornalista Maurício Locks, que integra a equipe do marqueteiro de Renato Pereira, marqueteiro de Romeu Zema e de Mateus Simões (ambos do Novo), pode ajudar a entender os recentes – e próximos – passos da comunicação dos atuais governador e vice-governador de Minas Gerais.
No texto, publicado em dois sites de Santa Catarina, Locks traz uma leitura sobre a polarização política no Brasil. Para o jornalista, o cenário eleitoral brasileiro segue rigidamente dividido pela disputa entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL). A rivalidade, para Locks, deixou de ser apenas política e transformou-se na estrutura central do debate nacional.
Nesse ambiente, segundo Locks, candidaturas alternativas — a chamada “terceira via” — enfrentam obstáculos que vão além do convencimento do eleitor: a polarização tornou-se um filtro que absorve ou neutraliza qualquer iniciativa fora desses dois polos.
Locks avalia que existe uma barreira sistêmica à emergência de alternativas, devido à falta de capilaridade partidária, ausência de uma narrativa forte e à pouca disposição do eleitorado em migrar entre campos já consolidados. Na análise do jornalista, essas campanhas acabam invisíveis ou rotuladas como simples extensões dos polos existentes.
Com base na análise de Locks, a comunicação de Zema e Simões podem tender a adotar uma postura mais ideológica à direita diante da polarização. Em vez de tentar se apresentar como alternativa de centro — posição que, segundo Locks, o sistema tende a neutralizar — as pré-campanhas de Zema ao Planalto e de Simões ao governo de Minas podem buscar estratégias para inserir os dois de modo mais claro em um dos polos do debate. Isso poderia significar, por exemplo, alinhamento mais explícito com pautas defendidas pelo campo à direita e reforço nas críticas ao governo Lula.
Zema, que tem sua comunicação guiada por Renato Pereira desde o início do ano, já tem dado sinais de que segue essa linha. O governador, pré-candidato a presidente, tem ampliado as críticas a Lula e adotando mensagens mais duras na linha do conservadorismo brasileiro. Simões, nesta quinta-feira (10), pode ter dado seu primeiro passo seguindo a linha, quando usou as redes sociais para criticar a atuação do governo federal no caso do tarifaço de Donald Trump.
Como mostrou O Fator, Mateus Simões promoveu mudanças em sua equipe de comunicação nos últimos dias, sendo a principal a contratação do marqueteiro carioca, que já atuou em campanhas como as de Aécio Neves, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.