O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, articula uma candidatura a deputado federal por São Paulo em 2026 e, por isso, pensando em aumentar as chances de vitória pelo quociente eleitoral, pressiona o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) a transferir o domicílio eleitoral de Minas Gerais para o estado vizinho. A legenda aposta que uma expressiva votação de Nikolas, a exemplo do que aconteceu em 2022, poderia impulsionar o partido a conquistar mais vagas na Câmara dos Deputados.
Na última eleição nacional, Nikolas se elegeu deputado com 1,47 milhão de votos, recorde entre todos os concorrentes à Câmara naquele ano. À época, Nikolas, então vereador em Belo Horizonte, contribuiu também para a vitória de outros seis postulantes do partido por Minas.
No plano de Valdemar, caso Nikolas dispute por São Paulo e repita a alta votação, o partido aumentaria significativamente as chances de garantir mais cadeiras no Congresso pelo quociente eleitoral, mecanismo que distribui vagas de acordo com o número de votos recebidos pelas legendas.
A movimentação ocorre em meio à necessidade de o PL encontrar alternativas para compensar possíveis baixas em São Paulo. O partido deve perder alguns de seus principais puxadores de votos no estado: Eduardo Bolsonaro planeja concorrer ao Senado, enquanto Carla Zambelli pode ficar inelegível por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente e outro puxador de votos, migrou para o Novo.
Apesar da articulação, Nikolas Ferreira negou, na sexta-feira (16), qualquer negociação para mudar seu domicílio eleitoral.
“Agradeço o carinho do povo paulista comigo, mas venho reafirmar com clareza: meu coração, minha missão e meu compromisso permanecem firmes com Minas Gerais. Foi o povo mineiro que me confiou essa honrosa missão de representá-los em Brasília, e é por eles que continuo lutando diariamente”, afirmou o parlamentar.
O diretório mineiro do PL também considera estratégica a permanência de Nikolas no estado. O presidente do PL em Minas, deputado Domingos Sávio, assegurou que o assunto nunca foi pauta no partido.
“Entendemos que há uma grande chance de que ele aumente sua votação de forma merecida. O PL sabe da importância do Nikolas para projetos futuros nos cenários estadual e nacional”, disse.
Valdemar Costa Neto reconheceu a resistência interna à proposta, principalmente entre dirigentes e militância mineira, mas destacou os benefícios eleitorais que a migração traria ao partido. “Adoraria que ele topasse essa mudança, mas sei que o pessoal de Minas vai ficar bravo comigo”, falou o dirigente à “Folha de S. Paulo”.