A resposta de um ex-governador de Minas a Zema sobre o tarifaço de Trump

Taxa de 50% foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos nessa quarta-feira (9), por meio de carta endereçada a Lula
O governador Romeu Zema
Zema atribuiu a Lula responsabilidade por tarifaço de Trump. Foto: Dirceu Aurélio/Imprensa MG

O ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo travou um diálogo com o atual chefe do Executivo estadual, Romeu Zema (Novo), sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos da América (EUA) ao Brasil nessa quarta-feira (9). Depois de Zema atribuir a taxa de 50% para todas as exportações brasileiras à conduta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Azeredo afirmou que, embora o petista tenha responsabilidade sobre o caso, é preciso condenar a postura do presidente norte-americano, Donald Trump.

“As provocações de Lula são indevidas, mas a interferência de Trump em nosso sistema político e jurídico é inaceitável”, escreveu Azeredo, eleito governador em 1994, pelo PSDB, em sua conta na rede social “X”.

Zema, por sua vez, além de culpar Lula, teceu um breve comentário sobre o impacto da tarifa de 50% na economia mineira. 

“As empresas e os trabalhadores brasileiros vão pagar, mais uma vez, a conta do Lula, da Janja e do STF. Ignorar a boa diplomacia, promover perseguições, censura e ainda fazer provocações baratas vai custar caro para Minas e para o Brasil”, falou.

Na manhã desta quinta-feira (10), ainda no “X”, Azeredo voltou a analisar a situação, apontando responsabilidades de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no caso.

“Não existem justificativas econômicas para a absurda taxação imposta por Trump. Somos a terceira maior democracia do mundo em população.Temos eleições livres.Lula e Bolsonaro colocaram interesses políticos pessoais à frente do interesse público da nossa pátria”, pontuou.

“Da forma como Trump aumentou as taxas sobre produtos brasileiros, Lula ganha uma ‘tábua de salvação’. Não acredito que possa ajudar Bolsonaro e nem evitar a necessidade de regulamentação das redes sociais (aliás, já existente nos Estados Unidos)”, completou.

A carta de Trump

O anúncio de Trump foi comunicado ao governo brasileiro por meio de uma carta endereçada a Lula. No documento, o presidente norte-americano ignora o superávit norte-americano na balança comercial com o Brasil e afirma que a relação entre os países é deficitária para os EUA. Ele faz, também, uma defesa ao aliado Bolsonaro.

“Conheci e lidei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei muito, assim como a maioria dos outros Líderes de Países. A forma como o Brasil tratou o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Este julgamento não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que deve acabar imediatamente”, diz.

Trump ainda atacou o Supremo Tribunal Federal (STF), criticando a Corte por decisões que, em sua avaliação, promoveram “ataques insidiosos do Brasil às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos”. Trata-se de menção indireta a casos como a suspensão temporária do X por causa do descumprimento de ordens judiciais.

Lula, então, respondeu evocando o princípio da reciprocidade econômica. Segundo ele, a lei que trata do tema será utilizada como contraponto a “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral”.

“O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém. O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”, escreveu, em trecho do desagravo.

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