A sondagem da direção nacional do PL a Romeu Zema

Conversas entre Zema e PL esbarraram em falta de garantias, resistência da bancada mineira e rejeição da família Bolsonaro
Valdemar e Zema
As conversas entre Valdemar Costa Neto e Romeu Zema não foram pra frente. Foto: Gil Leonardo / Imprensa MG

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi alvo de uma recente sondagem do PL sobre uma eventual migração para a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro. A hipótese, entretanto, acabou rechaçada pelo chefe do poder Executivo estadual.

Pelo que O Fator apurou, Zema tem dúvidas quanto ao prosseguimento de sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto em caso de mudança de partido. A resistência de setores do PL a uma filiação do político do Novo também pesou para as conversas não avançarem.

O convite do PL a Zema, feito pela direção nacional do partido, capitaneada por Valdemar Costa Neto, ocorreu de maneira informal. A sondagem foi confirmada à reportagem por aliados do governador e por interlocutores da legenda de Bolsonaro.

O entendimento é que Valdemar não pode, neste momento, fornecer garantias suficientes de que Zema teria protagonismo no projeto do partido para a eleição presidencial do ano que vem. O dirigente tem dito que, sem a reversão da inelegibilidade de Bolsonaro, caberá ao capitão reformado definir os rumos do PL na corrida pelo governo federal.

Como O Fator mostrou, o ex-presidente sempre apresentou dúvidas em relação ao nome do mineiro. A avaliação era de que Zema tentava herdar o espólio político, mas se mostrava vacilante a pautas bolsonaristas.

Além de entregar a responsabilidade a Bolsonaro, Valdemar admite que uma das hipóteses é filiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e torná-lo candidato ao Planalto. É nessa etapa da equação que uma entraria uma eventual filiação de Zema.

Interlocutores associam a sondagem do PL ao governador mineiro a uma possível permanência de Tarcísio no Republicanos mesmo como presidenciável. Assim, o chefe do Executivo estadual surgiria como um ativo dos correligionários de Bolsonaro para ser embolar a disputa ou mesmo concorrer como vice.

De acordo com relatos, as tratativas começaram ainda antes do lançamento da pré-candidatura de Zema à Presidência da República e foram vistas como um dos motivos que o levaram a oficializar, em evento no mês passado, a intenção de disputar o Planalto, a fim de mostrar que o projeto presidencial não era especulação.

Entraves no PL

A direção nacional do PL buscou abrir espaço para Zema, mas o movimento enfrentou obstáculos. Além da já citada ausência de garantias concretas ao governador quando o papel que poderia ocupar dentro da legenda, há resistência da bancada do partido em Minas.

Deputados federais do PL mineiro têm restrição ao nome do governador e, nos bastidores, apostam que sem espaço em uma chapa nacional, Zema poderia concorrer ao Senado em 2026. O movimento poderia atrapalhar os planos de parlamentares liberais que tentam construir candidaturas à Casa Alta do Congresso Nacional.

De acordo com fontes ouvidas por O Fator, a sondagem de Valdemar a Zema pegou os membros do diretório estadual de surpresa. Ao saber da conversa, integrantes do partido em Minas chegaram a acionar filhos do ex-presidente.

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, por exemplo, demonstraram rejeição ao governador mineiro e usaram até mesmo manifestações públicas nas redes sociais como forma de pressão.

No próprio PL, a leitura é de que o “casamento” com Zema é improvável. As restrições internas da bancada mineira, somadas à percepção de que o governador perderia margem de manobra política dentro da legenda, reduziram o entusiasmo que chegou a existir em julho, quando o assunto foi ventilado pela primeira vez.

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