Próximo presidente do diretório nacional do PSDB, o deputado federal Aécio Neves (MG) não compareceu ao evento de filiação do ex-presidenciável Ciro Gomes, em Fortaleza (CE), nesta quarta-feira (22). O ex-governador goiano Marconi Perillo, que entregará o comando da legenda a Aécio no mês que vem, também não participou.
Nos últimos dias, lideranças tucanas apontaram a O Fator que a atuação de Ciro no PSDB deve ficar restrita ao Ceará. Ex-ministro da Fazenda, ele estava no PDT e é cotado para concorrer ao governo daquele estado.
A decisão de restringir Ciro ao Ceará acontece porque desde a candidatura presidencial de 2002, pelo antigo PPS, tornou-se comum ouvir dele a avaliação de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) “quebrou o país três vezes”, em referência aos acordos celebrados pelo governo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1998, 2001 e 2002.
A narrativa ácida contra o único presidente eleito pelo partido acompanhou Ciro em toda sua trajetória política, inclusive durante suas duas corridas presidenciais mais recentes, em 2018 e 2022, já pelo PDT.
Fontes ligadas ao ninho tucano consideram que, caso seja confirmada no próximo ano, a candidatura do ex-ministro ao governo do Ceará resolverá dois problemas.
O primeiro é que por já haver sido prefeito de Fortaleza e governador do estado, Ciro é naturalmente um candidato viável para o posto. O segundo é que dirigentes da sigla não terão de se preocupar em repaginar o discurso “cirista” acerca do histórico do partido em nível nacional.
A reportagem buscou contato com Aécio Neves para obter comentários a respeito da ausência. O espaço segue aberto.