Há uma pressão dentro do Republicanos de Minas Gerais para que o comando estadual da sigla seja substituído em razão das últimas polêmicas que envolvem o atual presidente, o deputado federal Euclydes Pettersen, cujo nome apareceu no escândalo do rombo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Setores da legenda citam o nome do deputado federal Gilberto Abramo para o posto. Pelo que apurou O Fator, a principal preocupação recai sobre a preparação da sigla para as eleições do ano que vem, sobretudo em relação ao palanque que o partido pretende assumir na disputa pelo governo de Minas. Hoje, o pré-candidato é o senador Cleitinho Azevedo.
Há, porém, um receio sobre como o Republicanos conseguirá se posicionar diante dos últimos movimentos no tabuleiro político mineiro, em meio a siglas de direita que já mantêm conversas encaminhadas com o vice-governador e pré-candidato ao comando do estado, Mateus Simões (PSD).
Como O Fator mostrou, uma das composições cotadas para a chapa deixaria o Novo, do governador Romeu Zema, com a indicação para a vice. As duas vagas ao Senado seriam distribuídas entre um nome do PL, que, por meio do deputado federal Nikolas Ferreira, estreitou a relação com Simões, e outra para o secretário de Governo, Marcelo Aro, do PP, partido que integra federação com o União Brasil.
Fontes ouvidas pela reportagem contam que um dos desejos do vice-governador é ter o apoio de Cleitinho. Por isso, as negociações seguem abertas. Contudo, há preocupação quanto ao espaço que o Republicanos pretende pleitear na chapa, uma vez que Euclydes também quer uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026.
A outra dúvida é quem o partido conseguiria aglutinar para tentar uma composição com o senador como cabeça de chapa. O ideal, contam, é que o grupo de centro e direita seguisse na mesma direção.
Diante desse quadro de incertezas é que surge quem defenda que a direção do partido no estado mude de responsabilidade para que a sigla se concentre nas negociações partidárias. Esse pleito, inclusive, já foi levado ao diretório nacional da legenda.
Um dos nomes lembrados é o de Gilberto Abramo, líder do Republicanos na Câmara. A reportagem tentou falar com o parlamentar, mas não conseguiu. O espaço segue aberto.
O que pesa
Em novembro, Euclydes Pettersen foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) como parte da operação que investiga descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. Ele nega as acusações.
A PF indica que o mineiro teria recebido ao menos R$ 14,7 milhões em propina para oferecer proteção política ao esquema de fraude no sistema previdenciário. Nas planilhas da Conafer, a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais, o nome dele aparecia sob o apelido “Herói E”.
De acordo com as investigações, o deputado é apontado como o integrante mais bem remunerado da estrutura de pagamentos do esquema. Em troca, oferecia proteção política e era responsável por abrir portas para que o presidente da Conafer tivesse influência sobre indicações ao comando do INSS.
Depois de ser alvo da operação, Euclydes negou todas as irregularidades e afirmou estar “à inteira disposição” das autoridades para prestar esclarecimentos. Ele ainda afirma que acredita na justiça, “na verdade e na importância das investigações sérias, conduzidas dentro da legalidade e com total transparência”.
“Reitero que toda operação representa, para alguns, um fim, e para outros, uma libertação. Já fui alvo de duas operações: em uma delas, fui absolvido, e na outra, o Judiciário sequer recebeu a denúncia, por falta de provas que comprovassem qualquer prática criminosa”.