Interlocutores com trânsito junto ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), acreditam que os sinais dados por ele de que não pretende disputar a Presidência da República não são definitivos. Na semana passada, durante reunião com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), na capital paulista, Tarcísio indicou que tem por objetivo buscar a reeleição.
A avaliação é que não há motivos para cravar uma candidatura presidencial no momento e, assim, lidar com os eventuais desgastes que uma posição do tipo traria. Fontes ouvidas por O Fator lembram, por exemplo, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as críticas a Zema após o mineiro lançar sua pré-campanha.
Paralelamente, apontam aliados, um posicionamento de Tarcísio já neste ano mostrando intenção de concorrer à sucessão de Lula poderia gerar embates velados com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O governador paulista entende que o momento é de cultivar boa relação junto à família do capitão reformado.
Há, ainda, a necessidade de Tarcísio de, em caso de candidatura ao Palácio do Planalto, obter o apoio familiar necessário para a empreitada.
Como O Fator mostrou na semana passada, Zema se animou com a sinalização dada por Tarcísio sobre não ser candidato. Ao comentar a reunião com o homólogo paulista, porém, o político do Novo se limitou a expor o aceno dado pelo anfitrião.
“Tarcísio me contou o que está acontecendo em São Paulo. E eu contei para ele o que está acontecendo em Minas. Queremos a mesma coisa: derrotar a esquerda. Por ora, o plano dele é disputar a reeleição em São Paulo. Mas ele vai participar ativamente da eleição presidencial. O papel dele em São Paulo terá impacto muito expressivo no plano nacional”, disse Zema.
Além de Zema, quem também acompanha com expectativa uma definição de Tarcísio é o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Secretário de Governo do Palácio dos Bandeirantes e um dos principais aliados do chefe do Executivo estadual, Kassab já indicou ter Tarcísio como plano A para a disputa presidencial.
No fim de setembro, Kassab afirmou que, embora Tarcísio seja o primeiro da lista para um apoio presidencial, os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná, são alternativas.
