Embora reconheçam terem sido pegos de surpresa com o rápido desfecho das tratativas pela filiação, ao PSD, do governador goiano Ronaldo Caiado, aliados do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), avaliam que o acordo construído no estado segue válido.
O entendimento, ao menos por ora, é de que Simões segue com aval do partido para dar palanque à pré-candidatura do governador Romeu Zema (Novo) à Presidência da República mesmo que a legenda lance um filiado para concorrer ao cargo.
A chegada de Caiado ao PSD de Simões embaralhou o cenário interno na sigla, que, além dos acordos estaduais, passa a ter três pré-candidatos a presidente. Antes da aterrissagem do goiano, já estavam no páreo os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.
O fato de a costura para a filiação de Caiado ter acontecido de forma ágil é justamente o que ampara o discurso dos aliados do vice-governador. Nem mesmo pessoas próximas ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, esperavam tamanha velocidade.
O intervalo entre o anúncio de desfiliação do chefe do Palácio das Esmeraldas do União Brasil e a confirmação de sua entrada no PSD foi inferior a 24 horas. Para mostrar que, apesar das várias pré-candidaturas, a sigla está unida, o anúncio veio em um vídeo de Caiado e Kassab ao lado de Ratinho e Leite.
Dois palanques?
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, o discurso que será adotado é de que o PSD saiu mais forte nacionalmente e no plano estadual com as recentes movimentações, uma vez que concentra para si, por meio de Kassab, as decisões sobre o pleito. Esse também foi o dom dado publicamente pelo presidente nacional da agremiação.
Adicionalmente, há a percepção de que dar palanque a Zema em Minas não alteraria significativamente o cenário geral da eleição, já que um bom desempenho do governador mineiro pode ser importante para forçar um segundo turno entre Lula e um nome da centro-direita.
Mas, na prática, também há o entendimento que adiante irá surgir a discussão sobre o peso político de Minas nas eleições ao Planalto. Desde a redemocratização, quem ganha no estado, ganha no país. E, por se tratar do segundo maior colégio eleitoral do Brasil, a balança também pode pesar em prol da bandeira própria.
‘Revival’ do caso Ratinho
O acordo que deu a Zema espaço no palanque de Simões foi fechado em outubro do ano passado, em meio às negociações que levaram o vice-governador deixar o Novo e rumar ao PSD. Ficou acertado que ele teria liberdade para apoiar o seu padrinho político no estado.
No início do mês, quando aliados de Kassab passaram a reverberar uma declaração em que Ratinho admite a possibilidade de concorrer ao Planalto, O Fator também mostrou que o trato com Zema seguia de pé mesmo com os acenos do cacique pessedista ao paranaense.
“Kassab disse com todas as letras que o palanque do partido no estado é de Zema”, assegurou Simões a O Fator, em novembro.
Lado a lado
Os pré-candidatos ao Palácio do Planalto participam, inclusive, de um evento em São Paulo nesta quarta-feira (28). Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite estiveram em uma conferência de investimentos organizada pelo UBS BB, banco responsável pela iniciativa.
Em conversa com a imprensa, o mineiro falou sobre a necessidade de união durante a corrida presidencial.
“Já manifestei publicamente que apoiarei qualquer um deles (do PSD) e também o Flávio (Bolsonaro) no segundo turno contra o PT. Nós temos de lembrar que as propostas nossas com relação às da esquerda são as propostas que vão levar o Brasil para o futuro. Os programas sociais são importantíssimos, mas precisamos ter porta de saída”, pontuou, à Folha de S. Paulo.
Como mostrou O Fator, os governadores participaram do painel “Motores do crescimento: governadores do Brasil em foco”. O UBS BB é resultado de uma parceria firmada em 2019 entre o banco suíço UBS e o Banco do Brasil (BB). O grupo atua na prospecção e estruturação de investimentos na América Latina.
