Aliados veem Pacheco mais disposto a disputar o governo de Minas, mas mantêm cautela

Possível candidatura do ex-presidente ao Senado ao comando do Estado conta com apoio do presidente Lula
Lula e Rodrigo Pacheco
O presidente Lula e o senador Rodrigo Pacheco. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Aliados do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) relatam que ele tem dado sinais de que está mais “entusiasmado” ao falar sobre uma disputa ao governo de Minas em 2026. Embora não tenha confirmado a candidatura, o grupo próximo avalia que o congressista está mais inclinado a enfrentar o desafio, ainda que a cautela prevaleça.

Nos últimos dias, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao estado reforçou essa movimentação. Na ocasião, o petista voltou a manifestar publicamente o desejo de ter Pacheco como candidato, para ser palanque dele na corrida ao Palácio do Planalto no ano que vem.

Segundo interlocutores ouvidos por O Fator, os acenos de Lula e de outras lideranças durante a última visita a Minas “animaram” Pacheco, que chegou a compartilhar, em grupos de WhatsApp, pesquisas de intenção de voto nas quais aparece à frente na disputa estadual.

Um aliado resume que ele estaria se “empolgando” com a ideia, sobretudo porque o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou de dar sinais de aposentadoria antecipada. Esse cenário reforça a possibilidade de o senador priorizar a corrida estadual.

Divergências internas

No PSD mineiro, a indefinição de Pacheco avança em meio às negociações para a possível filiação do vice-governador Mateus Simões (Novo), pré-candidato ao governo do estado. O movimento expôs uma divisão antiga no partido e acabou freando as articulações para 2026.

Enquanto deputados estaduais trabalham para viabilizar a chegada de Simões, aliados do ex-presidente do Senado defendem que nada avance até que ele se posicione. Pacheco se comprometeu a dar uma resposta sobre seu futuro ao grupo político até outubro.

Marcando território em um assunto que ganhou repercussão nacional, Pacheco divulgou, na segunda-feira (1º), nota reafirmando sua permanência no PSD e criticando a antecipação do calendário eleitoral. Disse que seguirá dedicado às pautas mais urgentes do país e destacou conquistas do partido em Minas.

“Continuarei trabalhando com foco nas questões mais urgentes e sem nenhuma intenção de mudança, seja das minhas convicções ou de legenda partidária. Ingressei no PSD a convite de seu presidente nacional, Gilberto Kassab, permaneci dois mandatos à frente da Presidência do Senado na legenda, da qual sou grato e leal aos meus correligionários”, afirmou.

Em referência velada a Simões, ele repudiou movimentos da extrema-direita e defendeu que o PSD mantenha sua posição de centro. Para aliados, o recado foi de que Pacheco quer mostrar força na legenda e reafirmar sua condição de principal liderança mineira.

Kassab e o tabuleiro nacional

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também aguarda a definição de Pacheco. Embora contrariado, aceitou esperar em respeito à sua liderança em Minas. Esse compasso de espera ocorre em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo e a negociações em vários estados.

O cálculo, porém, envolve fatores nacionais: Kassab é secretário de Governo e Relações Institucionais em São Paulo e um dos principais entusiastas da candidatura presidencial do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos). Sem Bolsonaro no páreo, o paulista deve receber a benção do ex-presidente.

Uma eventual composição à direita pode redefinir os rumos do PSD em Minas, já que Pacheco é próximo de Lula e defende a manutenção da aliança com o governo federal. Nesse cenário, Mateus Simões tende a ganhar espaço na legenda por sua ligação com o campo conservador.

Pé no freio

Apesar da animação recente, o grupo político evita criar expectativa em excesso. A avaliação é que Pacheco sinaliza disposição e busca ocupar espaço, mas ainda é cedo para consolidar a candidatura. “É ótimo que ele esteja animado, mas é melhor esperar um pouco mais. Ainda temos tempo”, resumiu um aliado.

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