Antes de liquidação, investimento no Master havia rendido R$ 2,5 mi a cidade mineira

Fundo previdenciário de Congonhas aportou R$ 14 milhões em banco de Daniel Vorcaro, preso nesta semana pela PF
Fachada do Banco Master, em SP
Banco Master entrou em liquidação extrajudicial. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

As letras financeiras adquiridas pelo fundo de previdência da Prefeitura de Congonhas (Prevcon) junto ao Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial nesta semana, haviam rendido valorização de cerca de R$ 2,5 milhões em aproximadamente um ano e meio. O departamento de pensões e aposentadorias aportou R$ 14 milhões nos títulos da instituição de Daniel Vorcaro em maio de 2024.

Os papéis comprados por Congonhas não têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege investimentos em renda fixa feitos por clientes de bancos que entram em liquidação extrajudicial ou sofrem intervenção. 

Os rendimentos de aproximadamente de R$ 2,5 milhões constam em planilha produzida pela assessoria de investimentos que presta serviços à Prevcon acessada por O Fator. O documento, produzido em 31 de outubro, mostra que, àquele momento, as letras do fundo administradas pelo Master correspondiam a R$ 16.520.372,81.

Sem a cobertura do FGC, os fundos de pensão que apostaram em letras de câmbio do Master só terão certeza do valor que conseguirão resgatar após a liquidação dos ativos da instituição financeira. Processos do tipo não são automáticos e podem se alongar judicialmente.

Dezoito fundos de pensão municipais e estaduais fizeram aplicações no master entre outubro do ano retrasado e dezembro do ano passado. Juntos, os investimentos somam cerca de R$ 1,8 bilhão. Apenas a Rioprevidência, ligada ao governo fluminense, injetou R$ 1 bilhão.

Pequena fatia

O montante sob o controle do banco de Vorcaro corresponde a apenas 2,78% da carteira de ativos da Previdência de Congonhas. O patrimônio total do fundo é de cerca de R$ 593,9 milhões.

Em nota, a prefeitura da cidade informou que o sistema previdenciário municipal “está acompanhando atentamente os desdobramentos da liquidação extrajudicial, com o objetivo de minimizar os impactos da medida”.

Ainda segundo o posicionamento, o ativo aplicado no Master não coloca em risco o patrimônio líquido do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).

Dono está preso

Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na segunda-feira (17), enquanto tentava embarcar em seu jatinho particular no Aeroporto de Guarulhos (SP). Nesta quinta-feira (20), a desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), negou o habeas corpus solicitado pela defesa do empresário

O rombo do Master é de cerca de R$ 12,2 bilhões. Segundo as investigações, o grupo criou uma empresa, a Tirreno, a fim de cobrir o déficit por meio da simulação de créditos consignados inexistentes. Os títulos fictícios foram negociados com o  Banco de Brasília (BRB), que pagou R$ 12 bilhões pela carteira.​

Os advogados de Vorcaro contestam a prisão do cliente. Segundo a banca, o afastamento do empresário do comando do banco seria suficiente para mitigar eventuais riscos.

Segundo o plano de voo do jatinho, Vorcaro seguiria para Malta. Os advogados, entretanto, afirmam que o destino final da aeronave seria os Emirados Árabes Unidos, onde o empresário assinaria o contrato de venda do Master. 

O pequeno país europeu, apontam, não era uma rota de fuga, mas uma parada em virtude da ausência de autonomia do jatinho para seguir sem escalas até a aterrissagem em solo emiradense. 

Antes da liquidação, havia acordo para a negociação do banco junto à holding Fictor e a um grupo de investidores dos Emirados.

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