O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), disse a O Fator que a conversa com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta quinta-feira (26), em Belo Horizonte, o deixou “convicto” de uma aliança entre setores da direita e da centro-direita na eleição estadual do ano que vem. Simões é pré-candidato à sucessão de Romeu Zema, também do Novo, e busca o apoio do PL para a disputa.
“Nos últimos dias, conversei com Cleitinho (Azevedo, senador do Republicanos), estive com toda a direção do PL, nacional e estadual. Hoje conversando com Bolsonaro, encontrando com Nikolas (Ferreira) e com as bancadas federal e estadual, eu estou convicto de que teremos uma unificação”, afirmou.
Simões e Bolsonaro se encontraram na Cidade Administrativa. O encontro contou com a participação de diversas lideranças de PL e Novo, como o deputado federal Domingos Sávio, presidente estadual dos liberais, e Christopher Laguna, presidente do diretório mineiro do partido de Zema. Outros parlamentares do PL, como os deputados estaduais Cristiano Caporezzo e Bruno Engler e o deputado federal Junio Amaral, também marcaram presença.
Parte da audiência foi reservada a uma conversa a sós entre o ex-presidente e o vice-governador. Em outro momento, o diálogo teve a participação dos demais interlocutores.
Propag e ‘riquezas’
A agenda também tratou dos problemas fiscais de Minas Gerais, que tem um débito de cerca de R$ 162 bilhões junto à União. O estado negocia para aderir ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), mas tenta angariar votos para derrubar vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a trechos do plano.
Como antecipou O Fator duas semanas atrás, a bancada do PL já sinalizou a disposição de votar a favor da derrubada dos vetos. Durante a conversa com Bolsonaro, Simões apresentou cálculos que mostram que, com a decisão de Lula de barrar o uso do fundo de compensação criado a reboque da reforma tributária na renegociação da dívida, Minas terá cerca de R$ 12 bilhões a menos para incluir na negociação.
“Ele reforçou que a derrubada do veto seria útil para protegermos riquezas”, afirmou Simões.
Batizado de Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), a poupança anexa à reforma tributária vai servir para compensar estados que tenham perdas por causa das mudanças da lógica na cobrança de impostos. O fundo também tem o objetivo de evitar a guerra fiscal entre os entes federados.
Na versão original do Propag, aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro, os estados podiam utilizar eventuais créditos do FNDR para alcançar as métricas do refinanciamento. A redação sancionada em janeiro por Lula, entretanto, excluiu esse trecho.
Ainda no que tange à pauta econômica, O Fator apurou que Simões fez um agradecimento a Bolsonaro pela liberação de recursos para viabilizar a expansão do metrô de BH.
Contexto político
A conversa com Bolsonaro sobre a conjuntura eleitoral aconteceu em momento oportuno para Simões. No início da semana, ele afirmou, durante um café da manhã com jornalistas, estar aberto a entregar, ao PL, a tarefa de indicar um dos dois candidatos ao Senado Federal em sua chapa.
A possibilidade vai ao encontro do desejo do ex-presidente de formar uma base bolsonarista na Casa Alta do Congresso Nacional. Em Minas, são pré-candidatos ao cargo pelo PL, além dos já citados Domingos Sávio e Caporezzo, nomes como o deputado federal Eros Biondini e o vereador belo-horizontino Vile dos Santos.
Quem também tenta se cacifar na disputa, a despeito da resistência de caciques do PL, é o influenciador Marco Antônio Costa, o “Superman”. Costa, inclusive, espera conseguir do ex-presidente a assinatura em sua ficha de filiação à legenda.
Depois da agenda na Cidade Administrativa, Simões e Bolsonaro foram almoçar com deputados do PL em um restaurante na Pampulha. De lá, o ex-presidente seguiu para um evento com correligionários.
