A Fundação Getúlio Vargas (FGV) deve apresentar, no segundo semestre deste ano, as conclusões do estudo sobre a remodelagem da Fundação Ezequiel Dias (Funed), entidade ligada ao governo de Minas Gerais que atua, por exemplo, na produção de soros para conter os efeitos de animais venenosos. A projeção sobre o término dos trabalhos da FGV é do presidente da autarquia mineira, Felipe Attiê. Segundo ele, a instituição nacional “tomou um susto” ao identificar as lacunas da cliente mineira.
Como O Fator vem acompanhando, a Funed avalia a troca de sua personalidade jurídica e contratou a FGV para entender a viabilidade de uma mudança O laboratório de Minas é, atualmente, uma fundação autárquica de direito público. Há, porém, a percepção de que essa denominação trava processos como a compra de insumos e a assinatura de contratos.
“A FGV entrou na Funed e tomou um susto. O trabalho dela aqui tem sido hercúleo”, diz Attiê, em entrevista a O Fator.
“Eles não tinham conhecimento do tamanho do problema da Funed. Com isso, estão correndo atrás de dar uma solução definitiva, que será observada por todos os laboratórios do país e pelo próprio Ministério da Saúde, que os contratou, com base no que estão fazendo na Funed, para outro serviço”, completa.
À mesa, pelo que O Fator apurou, há várias opções. Entre elas, a transformação da Funed em fundação pública de direito privado, como o Butantan, em São Paulo. A conversão em empresa pública, modelo similar ao do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe) também é cogitada. Um dos líderes do processo é o sanitarista Gonzalo Vecina, fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O contrato entre FGV e a saúde federal citado por Attiê prevê a atuação da fundação no apoio institucional ao ministério. O escopo da parceria contempla estudos, pesquisas e a realização de cursos de capacitação.
Análise em três frentes
O pente-fino da FGV, neste momento, está na terceira fase, em que há a consolidação dos estudos sobre os possíveis modelos a serem adotados. Essa avaliação acontece a partir de três frentes: análise preliminar de mercado, exame jurídico e diagnóstico econômico-financeiro.
No ano passado, a Funed retomou a produção de soros antivenenos após nove anos de hiato. Para este ano, a expectativa é de avanços em parcerias para a produção de remédios como o Aflibercepte, indicado para o tratamento de degeneração de visão por causa da idade, e a lenalidomida, medicamento análogo à talidomida, já desenvolvida pela entidade e utilizada no tratamento de enfermidades como lúpus e hanseníase.
