Dez municípios em Minas Gerais responderam por 66,6% de todas as compras externas do Estado em 2025, ano em que as importações somaram US$ 18,3 bilhões. O resultado representa alta de 7,8% em relação aos US$ 17 bilhões registrados em 2024. Veja o ranking dos no fim da matéria.
Juntos, os maiores importadores movimentaram US$ 12,19 bilhões, com uma reorganização na liderança: Extrema, no Sul de Minas, assumiu o topo com US$ 2,62 bilhões, superando Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), que somou US$ 2,41 bilhões.
O Sul de Minas, aliás, também abriga o maior exportador de Minas: Varginha.
A inversão no topo reflete uma mudança na pauta mineira, em que a biotecnologia e o agronegócio ganharam o espaço antes ocupado pela indústria automotiva tradicional.
Betim, que tem as operações concentradas na cadeia de transporte, com destaque para automóveis de passageiros (US$ 633 milhões) e veículos de carga (US$ 261 milhões), viu o setor recuar globalmente no estado.
Em contrapartida, Extrema consolidou-se como polo de saúde ao importar volumes robustos de medicamentos e produtos imunológicos, enquanto Lagoa Santa, na RMBH, se destacou pela compra de turborreatores e turbinas a gás, que movimentaram US$ 320 milhões.
Já Uberaba, no Triângulo, concentrou a demanda do agronegócio e indústria química, com forte peso em compostos heterocíclicos (compostos orgânicos – US$ 282 milhões) e adubos nitrogenados. Esse cenário de compras, aliás, pode mudar nos próximos anos, caso a fábrica de fertilizantes prevista pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) seja implantada no município, conforme adiantou O Fator.
Dependência externa e desenvolvimento
Minas Gerais mantém o padrão de “vender commodities e comprar manufaturados”. Cerca de 70% das exportações mineiras são bens de baixa e média-baixa tecnologia. Em contrapartida, nas importações, aproximadamente 70% são produtos de alta e média-alta tecnologia, padrão que se mantém com poucas alterações.
Segundo a pesquisadora Maria Aparecida Sales, da Diretoria de Estatística e Informações (Direi) da Fundação João Pinheiro (FJP), a leitura do cenário é dupla.
“O crescimento das compras internacionais de adubos, produtos químicos e produtos farmacêuticos indica dependência tecnológica, mas também expansão da produção estadual. Se, por um lado, a importação desses bens pode representar dependência da indústria nacional, por outro, pode sinalizar aumento dos investimentos e da produção interna”, afirmou a O Fator.
Ela destaca que, em 2025, máquinas e equipamentos mecânicos responderam por 17,2% do total, com crescimento de 15,5% sobre o ano anterior. Esse movimento, na avaliação da pesquisadora, sinaliza não apenas dependência externa, mas um ciclo de investimento produtivo e ampliação da capacidade industrial mineira.
De onde vêm os produtos?
No recorte por origem, a China foi o principal fornecedor de Minas Gerais em 2025, com US$ 4,62 bilhões (25,3% do total importado), seguida pelos Estados Unidos, com US$ 2,51 bilhões (13,7%), e pela Argentina, com US$ 1,54 bilhão (8,4%).
Também tiveram participação relevante a Itália, com US$ 1,01 bilhão, e a Alemanha, com US$ 900 milhões.
Maiores importadores (FOB – 2025)
- Extrema – US$ 2,62 bilhões
- Betim – US$ 2,41 bilhões
- Uberaba – US$ 1,70 bilhão
- Belo Horizonte – US$ 1,04 bilhão
- Pouso Alegre – US$ 976,8 milhões
- Contagem – US$ 927 milhões
- Varginha – US$ 830,7 milhões
- Sete Lagoas – US$ 626,1 milhões
- Poços de Caldas – US$ 535,7 milhões
- Lagoa Santa – US$ 531,1 milhões