As duas ausências ‘óbvias’ na cerimônia de homenagens da Câmara de BH

Grande Colar do Mérito Legislativo é a principal honraria concedida pelo Legislativo da capital
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Conversam durante a cerimônia deputada federal Nely Aquino, secretário de Estado, Marcelo Aro, presidente da Câmara, Juliano Lopes, e prefeito de BH, Álvaro Damião. Foto: Denis Dias/CMBH

O vereador Lucas Ganem (Podemos) foi ausência na cerimônia de entrega do Grande Colar do Mérito Legislativo, realizada nessa terça-feira (9) na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). O encontro foi acompanhado pelo presidente da Casa Legislativa, Juliano Lopes, e pela deputada federal Nely Aquino, ambos do Podemos, além do secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), líder do grupo político pelo qual Ganem conquistou sua eleição em 2024.

O homenageado escolhido por Lucas Ganem seria o deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP), primo do vereador. O deputado paulista também não esteve na solenidade.

As divergências entre Ganem e a “Família Aro” acompanham a trajetória do parlamentar desde o fim das eleições do ano passado.

O episódio mais recente ocorreu na última sexta-feira (5), quando a direção nacional do Podemos dissolveu os diretórios do partido em Belo Horizonte e em Minas Gerais. O Podemos mineiro era dirigido pela deputada federal Nely Aquino, e, em Belo Horizonte, pelo empresário Rony Rinco, marido de Nely.

Na quinta-feira (4), Juliano Lopes presidiu a sessão em que a abertura do processo de cassação de Ganem foi aprovada por 39 votos no plenário da Câmara.   

Ainda nessa terça, Lucas Ganem (Podemos) orientou sua equipe de gabinete a não receber a notificação enviada pela direção da CMBH para avisá-lo formalmente do início da análise da denúncia que pode cassá-lo.

Condecorados

Com a ausência de Ganem, coube aos 40 demais vereadores da capital homenagear lideranças, instituições e entidades da sociedade civil.

Foram agraciados, por exemplo, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, por indicação de Braulio Lara (Novo), a deputada estadual Chiara Biondini (PL), indicada por seu correligionário, Claudio do Mundo Novo, a atriz e fundadora do Grupo Galpão, Teuda Bara, por iniciativa de Luiza Dulci (PT), e o fundador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, indicado por Bruno Pedralva, também do PT.

O ‘caso Ganem’

A cronologia que resultou na abertura do processo de cassação de Ganem teve início ainda antes da posse. Em 16 de outubro de 2024, matéria de O Fator mostrou que o parlamentar recém-eleito vivia em São Paulo e não possuía domicílio fixo em Belo Horizonte.

A publicação levou o primeiro suplente na chapa do Podemos, o então vereador Rubem Rodrigues de Oliveira Júnior, o Rubão, a protocolar uma denúncia no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). Um inquérito da Polícia Federal (PF) acabou anexado à ação que corre na Justiça ELeitoral. No material, a esposa do proprietário da casa indicada por Ganem como endereço em BH à época da eleição, disse nunca tê-lo visto no local.

Com o processo em andamento na Justiça, um segundo episódio, ocorrido em 1º de janeiro de 2025, também ficou marcado na trajetória do vereador. O Podemos, partido pelo qual Ganem foi eleito, tinha em Juliano Lopes, um forte candidato para a presidência da Câmara Municipal.

No dia em que os parlamentares foram empossados e definiram a Mesa Diretora da atual legislatura, Ganem contrariou a orientação de sua legenda e votou em Bruno Miranda (PDT) para presidente. Juliano venceu a disputa por 23 votos contra 18.

Investigado por fraude ao domicílio eleitoral e rompido com o grupo político junto ao qual conquistou sua eleição, Ganem passou todo o primeiro ano de mandato isolado das principais decisões tomadas na Câmara.

O vereador chegou a manifestar decepção com os colegas mais próximos pelo fato de não haver tido sequer um projeto de lei de sua autoria levado à apreciação em plenário.

Conforme mostrou O Fator, até o dia 10 de novembro, Ganem havia participado de forma remota de 45 das 93 sessões plenárias na Casa, o que representa 47% das reuniões.

Nas semanas que antecederam a sessão desta quinta-feira (4), o vereador usou os microfones do plenário apenas uma vez. Questionado publicamente no dia anterior por Wagner Ferreira (PV), Osvaldo Lopes (Republicanos), Flávia Borja (DC) e Wanderley Porto (PRD), que solicitaram da Câmara um posicionamento oficial sobre as denúncias contra o parlamentar, Ganem foi à tribuna em 12 de novembro pedir que os vereadores esperassem pela decisão final da Justiça e não dessem início aos ritos do processo de cassação.

A estratégia não funcionou. No dia 1º de dezembro, o presidente Juliano Lopes acatou denúncia apresentada pelo advogado Guilherme Augusto Soares.

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