As mudanças de última hora e os apoios que definiram a disputa pela presidência do TJMG

Corte elege seu novo presidente no próximo dia 27 de abril; dois desembargadores inscreveram candidaturas
A sede do TJMG em Belo Horizonte. Foto: Euler Junior/TJMG

A eleição para a presidência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), marcada para 27 de abril, quase foi definida por consenso. Nos bastidores, ex-presidentes e grupos internos chegaram a articular uma candidatura única, mas divergências de última hora impediram o acordo e mantiveram a Corte dividido entre dois nomes: os desembargadores Maurício Soares e Vicente de Oliveira Silva.

A tentativa de entendimento começou no fim de 2025, quando integrantes de diferentes alas buscaram uma composição capaz de evitar mais uma disputa acirrada. Como mostrou O Fator em janeiro, setores influentes da Corte chegaram a cogitar a construção de uma candidatura de convergência, processo que, naquele momento, envolvia também magistrados como Marcos Lincoln e Carlos Levenhagen. A intenção era reunir os principais grupos de desembargadores sob um mesmo projeto de gestão interna, algo inédito nas últimas eleições do TJMG.

As articulações avançaram ao ponto de aproximar dois dos principais líderes de correntes internas, os ex-presidentes Nelson Missias e Pedro Bittencourt. Eles chegaram a conversar sobre a possibilidade de apoiar um único candidato, mas o entendimento não se sustentou.

Nelson passou a caminhar ao lado de Maurício Soares, enquanto Pedro se alinhou a Vicente de Oliveira Silva, que também recebeu o apoio do atual presidente do Tribunal, o desembargador Luiz Carlos de Azevedo Correa Júnior. Silva compõe a equipe de Corrêa Júnior como superintendente adjunto administrativo.

Outro ex-presidente com atuação destacada nos bastidores, o desembargador Gilson Soares Lemes, trabalhou por meses para consolidar a candidatura do desembargador Marcos Lincoln que tinha compromisso de apoio por parte da atual gestão. Nos últimos dias,como o acordo não se confirmou, Lincoln decidiu retirar o nome da disputa e declarar apoio a Maurício Soares, com quem trabalhou no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). A movimentação foi interpretada internamente como um gesto político significativo e surpreendeu parte dos magistrados que acompanhavam o processo.

Novos embarques

Com o recuo de Lincoln, a corrida pela presidência ganhou novo contorno. Maurício Soares manteve o apoio do grupo de Nelson Missias, mas também passou a receber adesões de desembargadores considerados independentes — magistrados que não se vinculam formalmente a nenhum dos ex-presidentes.

Já Vicente de Oliveira Silva consolidou apoios de peso ligados à atual administração e à estrutura interna do Tribunal. O cargo que ele ocupa na superintendência administrativa, tradicionalmente, tem funcionado como etapa preparatória para o comando da instituição.

A definição dos candidatos foi oficializada na quarta-feira (25), com inscrição dos dois nomes para concorrer à presidência no biênio 2026–2028. Maurício Soares é desembargador desde 2015 e presidiu o TRE-MG entre 2022 e 2023. Vicente de Oliveira Silva foi promovido em 2014.

O pleito reunirá o voto dos desembargadores que compõem o Órgão Especial e o Tribunal Pleno, responsáveis por eleger o novo comando da Corte e a composição da cúpula diretiva — com vice-presidência e corregedoria-geral. Até lá, as articulações devem se intensificar, num movimento que promete se estender pelas próximas semanas e definir o equilíbrio interno do Judiciário mineiro pelos próximos dois anos.

Leia também:

As mudanças de última hora e os apoios que definiram a disputa pela presidência do TJMG

Novo acordo entre Copasa e BH anima bancos; Safra eleva preço-alvo

Edinho queria conversa com Pacheco durante passagem por MG, mas roteiro prevê queixas

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse