Apesar de estar há poucos meses em Belo Horizonte, o vereador Lucas Ganem (Podemos) já conseguiu emplacar um nome ligado a ele em cargos relevantes no poder Executivo municipal.
Na última segunda-feira (31), uma assessora do gabinete de Ganem foi nomeada para responder pela Diretoria de Proteção ao Animal Doméstico, na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte.
Jucilene Cardoso de Oliveira compunha a equipe do gabinete do vereador desde janeiro e deixou o cargo um dia depois de ser nomeada na prefeitura. Ela é médica veterinária desde 2021 pela Universidade Federal de Lavras (UFLA).
A ex-assessora vai comandar uma diretoria estratégica para o vereador: Ganem tem os animais domésticos como seu foco de atuação parlamentar, assim como seu primo, o deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP), sua mãe, a vereadora de São Paulo Simone Ganem (Podemos), e sua tia, Clarice Ganem (Podemos), deputada estadual na Assembleia de São Paulo.
Lucas Ganem é conhecido por uma situação curiosa. Em outubro, O Fator mostrou que o parlamentar, nascido em São Paulo (SP) e criado Indaiatuba (SP), nunca havia morado em Belo Horizonte até ser eleito para a Câmara Municipal.
O dono da casa
A candidatura de Ganem só foi possível por ter registrado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), em fevereiro de 2024, ter domicílio eleitoral em uma casa no bairro Trevo, na região da Pampulha. O imóvel está registrado em nome do empresário Grijalva de Carvalho Lage Duarte, que foi nomeado no último sábado (5) para atuar como Secretário Municipal Adjunto de Administração na Prefeitura de Contagem.
Recentemente, a Justiça eleitoral tentou notificar Ganem de um processo contra ele movido pelo ex-vereador Rubão, primeiro suplente da legenda. O vereador não foi encontrado no endereço.
Apesar da ligação com Ganem, a nomeação do empresário não teve participação do vereador. Pelo que a reportagem apurou, Grijalva é próximo de lideranças do União Brasil, partido responsável pela indicação em Contagem.
A propósito, a relação de Grijalva com o União Brasil teve um episódio decisivo na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Belo Horizonte. Ganem deixou de apoiar a candidatura do correligionário Juliano Lopes a presidente da Casa para votar em Bruno Miranda (PDT) depois que interlocutores do União, que apoiava a candidatura do pedetista, o alertaram que seu mandato só estaria em risco na Justiça Eleitoral caso Grijalva decidisse relatar irregularidades com o domicílio eleitoral do parlamentar.
À época, Ganem relatou a membros da “Família Aro”, grupo liderado pelo secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), e que tem o Podemos em sua composição, que não poderia apoiar Juliano Lopes por conta dessa situação.