Ata que INSS escondeu revela conivência de Stefanutto com descontos

INSS só encontrou ata após recurso via Lei de Acesso à Informação; documento não está no site da CPMI
Alessandro Stefanutto na CPMI do INSS em 13 de outubro de 2025
Alessandro Stefanutto na CPMI do INSS em 13 de outubro: ata encontrada. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A ata de uma reunião com a CGU em agosto de 2024 que antecedeu a Operação sem Desconto mostra a conivência do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, com os descontos associativos, apesar dos indícios de fraude.

Como O Fator mostrou, o INSS afirmou, em resposta a um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI), não ter “localizado” a ata.

Porém, essa resposta veio quatro dias depois da audiência da CPMI com o próprio Stefanutto – na qual o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), exibiu para as câmeras e leu trechos da ata.

Stefanutto não demonstrou surpresa quando Gaspar leu trechos da ata da reunião.

Após recurso de O Fator via LAI citando notas taquigráficas dessa sessão da CPMI, o INSS encontrou a ata da reunião e entregou nesta terça (28), último dia do prazo para atender ao recurso.

Cabeçalho da ata da reunião entre INSS e CGU em agosto de 2024. Fonte: INSS/via LAI.

Durante a CPMI, Gaspar disse que o texto “é uma transcrição ipsis litteris do que foi dito na reunião”. Não procede. Trata-se realmente de uma ata, um resumo em terceira pessoa do que cada participante disse, semelhante a uma ata de reunião de condomínio – e que, em um primeiro momento, o INSS disse não ter encontrado.

A reunião foi realizada na manhã de 9 de agosto de 2024, uma sexta-feira, no gabinete do presidente do INSS – como registrado não na ata em si, mas em outros documentos a que O Fator teve acesso.

A ata mostra a posição de Stefanutto em favor das entidades associativas.

Trecho da ata da reunião entre INSS e CGU em agosto de 2024. Fonte: INSS/via LAI.

No começo da reunião, Stefanutto “disse que a única preocupação é o fato de as pessoas dizerem que não autorizaram o desconto mesmo que o usuário tenha utilizado serviços da entidade, a exemplo de serviços funerais. Falou que, para punir as entidades, precisa oportunizar ampla defesa e contraditório”.

Em outro momento, “disse que se preocupa com eventual não manifestação do beneficiário, quanto à efetiva autorização do desconto, para efetivar o cancelamento. Se há lisura no procedimento, se a Administração não estaria decidindo a saída do beneficiário da associação” – ou seja, na dúvida, estava a favor de manter o desconto.

Mais adiante, o então presidente do INSS disse que “quando [se] suspende os descontos e repasses de uma entidade, pode acabar com a entidade, pois a maior parte de suas receitas são oriundas desse desconto. O tempo é que irá demonstrar que não foi possível, pode destruir empresa. Riscos associados acabam por descaracterizar a boa fé”.

Perguntado na CPMI sobre esse trecho da ata, Stefanutto respondeu: “o que nós queríamos era ser (sic) mais cirúrgico, para que a gente não fizesse algum tipo de bloqueio que não correspondesse à verdade. E isso que eu conversei… É uma conversa técnica, na qual nós estávamos trocando ideia, mostrando nossas razões”.

Em abril deste ano, após a deflagração da Operação sem Desconto, o INSS suspendeu todos os acordos de descontos associativos.

Procurada várias vezes por O Fator, a assessoria do deputado Alfredo Gaspar disse não ter encontrado cópia da ata que ele leu publicamente. A ata ainda não está publicada na seção de documentos da CPMI no site do Senado.

Durante a sessão, o deputado Luiz Lima (Novo-RJ) pediu cópia da ata. A assessoria dele disse ainda não ter recebido.

Trechos da ata foram publicados em 2 de outubro por O Antagonista.

Clique AQUI para ler na íntegra a ata que o INSS escondeu em um primeiro momento, e que o relator Alfredo Gaspar ainda não incluiu nos documentos públicos da CPMI.

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Exclusivo: INSS esconde ata de reunião com CGU antes da Sem Desconto

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