Até quando aliados de Pacheco esperam por definição sobre governo de Minas

Até outubro, senador deve definir se irá disputar o governo de Minas e por qual partido
Rodrigo Pacheco
Não é segredo entre aliados que o desejo do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) é ocupar uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O senador mineiro Rodrigo Pacheco, conhecido pela postura cautelosa e por esgotar todas as dúvidas antes de tomar decisões, firmou compromisso com seu grupo no PSD de definir, até outubro, seu futuro: se disputará o governo de Minas e, caso confirme a candidatura, por qual partido. Interlocutores próximos ao político relataram a “promessa” a O Fator.

Não é de hoje que a indefinição sobre o destino do ex-presidente do Senado preocupa aliados, sobretudo os que têm mandato. Com a divisão interna no PSD, entre o grupo de Pacheco e o do presidente estadual da legenda, Cássio Soares, a conta é simples: se o senador mudar de sigla, eles o acompanham na janela partidária; caso contrário, precisam buscar outro caminho.

Entre as possibilidades na mesa de Pacheco estão disputar o governo de Minas com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tentar a reeleição ao Senado ou retomar as atividades no escritório de advocacia. Uma quarta possibilidade, de ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), depende de fatores externos.

É necessário que se confirmem os rumores de uma aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso ainda no governo Lula e que Pacheco seja indicado para a vaga. Não é segredo que o desejo número um do parlamentar sempre foi integrar o Supremo.

Sem uma saída antecipada de algum ministro, a próxima vaga só será aberta em 2028, quando Luiz Fux completará 75 anos e se aposentará compulsoriamente. A nomeação também estará condicionada à vontade do presidente da República que estiver no cargo.

Disputa por Minas

Aliados do senador afirmam tentar convencê-lo de que, hoje, ele está entre as principais lideranças políticas de Minas e do país, especialmente após deixar a presidência do Senado em fevereiro. Completam que é preciso aproveitar esse protagonismo para evitar perder espaço no cenário político.

Entre os possíveis adversários ao comando do Estado estão o vice-governador Mateus Simões (Novo) e o senador Cleitinho (Republicanos), cujo nome é ventilado. Nesse cenário, Pacheco também avalia o tipo de campanha que poderia enfrentar, de ter ataques que passem do político para o pessoal.

Questão partidária

Agora, se Pacheco confirmar a disputa pelo governo de Minas, outra questão entra em pauta: será pelo PSD ou por outro partido? O senador já recebeu convites do PSB, do MDB, legenda à qual já foi filiado, e do União Brasil, que atualmente integra uma federação com o PP, do senador Ciro Nogueira (PI).

Uma eventual ida para o União Brasil o recolocaria no mesmo partido de um de seus principais aliados, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP). Além disso, Ciro Nogueira já teria garantido que, em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, os diretórios teriam liberdade para apoiar Lula nas eleições de 2026.

E a relação de Pacheco com o União Brasil vem de antes. Foi ele quem articulou para que a sigla indicasse Álvaro Damião como vice na chapa de Fuad Noman (PSD) à Prefeitura de Belo Horizonte, nas eleições de 2024. Com a morte de Fuad, em março deste ano, Álvaro assumiu o comando da capital mineira.

O PSD vive hoje uma divisão interna entre o grupo do senador e o de Cássio Soares, que, segundo aliados, estaria equilibrada em 50% para cada lado. Atualmente, o deputado estadual mantém proximidade com o vice-governador Mateus Simões.

A relação próxima do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), somada às críticas ao governo Lula, também pesa nesse cenário.

No grupo de Pacheco, parlamentares com mandato tentam demonstrar otimismo. Avaliam que, caso o ex-presidente do Senado decida rapidamente disputar o governo de Minas, a atual divisão interna mudaria, garantindo ao senador maioria absoluta e, assim, sua permanência na legenda.

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