Mais uma empresa de mineração de médio porte de Minas Gerais passa a ter acesso direto a clientes no exterior. Depois da Cedro Mineração, agora é a AVG, que assinou contrato para utilizar o Porto Sudeste, em Itaguaí, no Rio de Janeiro (RJ). O fechamento do contrato ocorreu há um mês e já há duas vendas fechadas para o mercado internacional. O acordo prevê o embarque de dois milhões de toneladas minerárias por ano.
Segundo a empresa, o contrato com o Porto Sudeste constitui uma decisão estratégica que fortalece a presença da empresa no cenário internacional de forma eficiente e estruturada, proporcionando ganhos operacionais, mais previsibilidade nas entregas e maior agilidade nas exportações.
Para a AVG, o contrato com o Porto Sudeste significará, de um lado, o fim da limitação de ter de comercializar o minério apenas no mercado interno junto a empresas de ferro-gusa, de siderurgia ou então para outras mineradoras de maior porte, que têm acesso ao mercado externo. A abertura ao mercado global também deverá aumentar a margem de ganho da AVG, uma vez que passa a comercializar um percentual maior de sua produção com clientes finais.
Em função dessa nova perspectiva, a AVG trabalha em projetos para o aumento de sua produção. A empresa informou que está debruçada sobre um plano de expansão que prevê o aumento da produção atual de 2,3 milhões de toneladas para 7 milhões de toneladas em três anos. Isso se dará com a entrada em operação de duas novas minas: a do Brumado, em Sabará, e a Dois Irmãos, em Barão de Cocais.
Porém, mesmo tendo acesso a clientes no exterior, a AVG não pretende abandonar o mercado interno, que, segundo a empresa, deverá responder por cerca de 70% de suas vendas. Seus principais clientes são a mineradora Vale, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e o mercado produtor de ferro-gusa.
Setor se movimenta
Em fevereiro, a Cedro Mineração venceu o leilão de concessão da área ITG-02 do Porto de Itaguaí, o chamado Porto do Meio. O terminal terá capacidade de movimentar cerca de 20 milhões de toneladas por ano em uma área de 350 mil metros quadrados. Para construir o terminal, a Cedro deverá investir R$ 3,6 bilhões.
Segundo afirmou Eduardo Couto, um dos vice-presidentes da Cedro Participações e conselheiro do Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), o terminal será um marco não só para a Cedro, mas também para o setor de mineração como um todo, pois permitirá o acesso ao mercado externo também para as empresas de médio porte.
Essa não foi a única movimentação da Cedro no sentido de melhorar a logística de escoamento de sua produção. Em outubro do ano passado, a empresa recebeu da Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT) autorização para construir uma short-line (ferrovia de curta distância) de 26 quilômetros que interligará a minas da região de Serra Azul, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, à malha da MRS, que contestou na Justiça a autorização dada pela ANTT.
Porém, a Justiça negou a liminar, considerando improcedente a alegação da MRS de que não pôde exercer a prioridade. Em função disso, em março último a Superintendência de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes caracterizou como bens de utilidade pública os imóveis localizados onde a Cedro planeja construir a ferrovia.