A Cervejaria Três Lobos, dona da marca Backer, conseguiu pela terceira vez o adiamento da votação do plano de recuperação judicial da empresa, que acumula dívida superior a R$ 146 milhões.
A assembleia de credores destinada à análise do documento, ocorrida nessa segunda-feira (19), terminou sem a análise da proposta de reestruturação. A etapa será retomada em 10 de dezembro.
Ao solicitar — e receber — a dilação de prazo, a companhia apontou “dificuldades no avanço de negociações” com potenciais investidores. Conforme a ata da sessão dessa segunda-feira, “um novo grupo manifestou interesse nas tratativas, sendo necessária, contudo, a concessão de um novo prazo de 45 dias para a estruturação de soluções definitivas a serem incorporadas ao plano”.
Também de acordo com a cervejaria, existe a perspectiva de desfecho positivo em uma outra ação judicial, o que pode provocar mudanças positivas no plano de recuperação judicial.
A Backer era a responsável pela fabricação das cervejas com o rótulo Belorizontina. No início de 2020, 10 pessoas morreram por causa de contaminação de unidades da bebida por dietilenoglicol. O caso ainda deixou 16 consumidores com sequelas consideradas graves, como cegueira, paralisia facial e comprometimento das funções renais.
Outra esfera
Em novembro do ano passado, os 11 réus acusados de participação no processo que culminou na contaminação foram absolvidos. Na semana passada, a família de uma das 10 vítimas apresentou recurso ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) pleiteando a reversão da sentença.
Maria José de Moraes Quintão, viúva de Antônio Márcio Quintão de Freitas, que morreu em janeiro de 2020 depois de beber cerveja Belorizontina, pede a condenação da sócia Ana Paula Silva Lebbos por adulteração de bebida com resultado morte e de quatro integrantes da área técnica da cervejaria por homicídio culposo.
Segundo Maria José, a sentença do ano passado não examinou um documento referente ao financiamento do tanque cujo furo foi apontado como única causa comprovada da contaminação. De acordo com a esposa de Antônio Márcio, a operação de crédito que custeou o tanque foi avalizada por Ana Paula Lebbos em julho de 2019, quando a Justiça considerou que ela estava afastada da empresa.