Base de Zema desiste de incluir Gasmig em PEC sobre fim do referendo da Copasa

Líder governista apresentou emenda para brecar inclusão de estatal de gás em proposta sobre fim do referendo para privatização
João Magalhães
João Magalhães apresentou emenda para brecar entrada da Gasmig em PEC. Foto: Alexandre Netto/ALMG

O líder do governo de Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), João Magalhães (MDB), apresentou uma emenda para não estender, à Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), os efeitos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira a necessidade de referendo popular para a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A emenda de Magalhães foi protocolada na tarde desta terça-feira (28).

O emedebista confeccionou a emenda horas após o também governista Gustavo Valadares (PSD), relator da PEC, encaminhar aos colega um texto substitutivo incluindo a Gasmig no rol de estatais abrangidas pela medida. A tramitação acontece em 2° turno, no âmbito de uma Comissão Especial.

Ao anunciar a apresentação da emenda que retira a Gasmig, Magalhães disse entender que “o melhor encaminhamento, neste momento, é manter o foco integralmente no saneamento básico”.

Ainda de acordo com o líder de Zema, os debates sobre a privatização da empresa de gás canalizado são necessários e serão retomados pelo Executivo “em momento oportuno”.

“Essa decisão reafirma a relevância da discussão sobre a Gasmig. A retirada prévia do referendo é uma medida tecnicamente correta e necessária, especialmente diante dos desafios de modernização e de ampliação da infraestrutura de gás canalizado. Trata-se de um serviço essencial, cuja universalização exige investimentos contínuos, segurança jurídica e modelos de gestão mais dinâmicos”, pontuou.

Pedido de Tadeuzinho

Como O Fator mostrou mais cedo, o presidente da Assembleia, Tadeu Leite, pediu que a Gasmig não fosse incluída na PEC da Copasa.

A dispensa do referendo, diz o texto, só será possível caso os recursos obtidos com a privatização da empresa de saneamento sejam aplicados em obrigações referentes ao refinanciamento da dívida mineira junto à União. 

Na prática, a verba poderá ser utilizada para o abatimento direto de parte do passivo e também para o cumprimento de obrigações atinentes ao refinanciamento.

O Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) prevê que um percentual 0,5% e 2% do saldo devedor das unidades federativas precisa ser utilizado para bancar ações em áreas como segurança pública, infraestrutura e ensino profissionalizante.

Depois que a Comissão Especial analisar a PEC, o texto será levado ao plenário para a votação final. O 1° turno ocorreu na sexta-feira (24).

O que disse o relator?

O parecer de Valadares pela inserção da Gasmig no texto da PEC dizia que a menção a mais uma empresa na regra sobre a dispensa de referendo serviria para criar “nova possibilidade de canalização de recursos para pagamento da dívida do Estado com a União”.

No mesmo relatório, o pessedista sustentou que substitutivo tinha o objetivo de oferecer “alternativas de aplicação dos recursos de forma a contribuir para que a universalização dos serviços de saneamento básico ocorra de forma economicamente sustentável e socialmente justa”.

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