O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), acredita que a disputa pelo governo de Minas Gerais passará pela comparação entre as gestões de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no plano nacional, e de Romeu Zema (Novo), à frente do estado.
“Confio na sabedoria do povo mineiro para comparar o que o presidente Lula tem feito e o que o governador Romeu Zema tem feito, que, além de comer banana com casca, eu não vi nada de relevante”, disse.
Como exemplo de pautas da esquerda, ele citou o fim da escala 6×1 e a regulação dos trabalhadores por aplicativos. A afirmação foi feita durante o programa “Bom Dia, Ministro”, nesta terça-feira (17), em resposta a questionamento de O Fator sobre a demora na escolha do candidato que dará palanque a Lula em Minas Gerais.
Para Boulos, a entrega das pautas trabalhistas, como o fim da escala 6×1 e a regulação dos trabalhadores por aplicativos, permitirá reduzir o vácuo político no estado e construir uma candidatura competitiva para 2026. Ele ressaltou, no entanto, que atrair votos não é o propósito das agendas.
“O compromisso do Lula com os trabalhadores não é um compromisso de pauta eleitoral. (O projeto do fim da escala 6×1) está maduro para aprovar agora”, comentou.
Minas Gerais, aliás, possui mais de 60% da economia ancorada em serviços e comércio, setores que concentram a maioria dos milhões de profissionais atingidos pelas medidas.
A relevância mineira no tabuleiro político, a propósito, é matemática. De tamanho continental, o estado tende a refletir os cenários nacionais, sob a máxima de que “quem ganha em Minas, ganha no país”. Desde a redemocratização, quem angariou mais votos dos mineiros, venceu a corrida presidencial.
Nas últimas eleições presidenciais, em 2022, por exemplo, Lula venceu Jair Bolsonaro (PL) no estado por 50,2% a 49,8%, espelhando a margem apertada do cenário nacional e reforçando o papel de Minas como fiel da balança.
“Treino é treino, jogo é jogo”
Boulos minimizou a ausência de um nome consolidado para o governo mineiro e as pesquisas que mostram crescimento da oposição, especialmente no cenário nacional.
“O jogo ainda não começou. Treino é treino, jogo é jogo. Nós ainda estamos no treino”, afirmou.
O ministro reafirmou que o palanque de Lula em Minas está sendo construído via diálogo direto do chefe do Executivo federal com o senador Rodrigo Pacheco (PSD), possível pré-candidato ao Palácio Tiradentes.
Ele também aposta em nomes como a prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT), para consolidar votos para a chapa. Cabe lembrar que o Psol, partido de Boulos, negou neste mês a proposta de federação com o PT de Lula.
6×1 e aplicativos
O fim da escala 6×1 é uma das prioridades do governo federal para este ano. A proposta busca substituir o modelo por jornadas que garantam dois dias consecutivos de folga, sem redução salarial. De acordo com o ministro, a rotina atual é responsável por levar os trabalhadores à exaustão e ao burnout, com aumento de 400% nos afastamentos.
Paralelamente, o governo acelera a regulação dos trabalhadores por aplicativos, com votação prevista no Congresso para abril. O marco legal pretende beneficiar cerca de 2,2 milhões de motoristas e entregadores com remuneração mínima de 10 reais somada a 2,50 reais por quilômetro rodado, além do fim das entregas agrupadas e garantia de acesso à Previdência Social.
Regime de urgência
Dados do Datafolha divulgados em 15 de março apontam que 71% dos brasileiros apoiam a mudança. Devido ao impacto eleitoral, o ministro acredita que a oposição vai evitar votar o projeto antes das eleições. Para acelerar o processo, ele alertou que, se o Congresso Nacional não avançar com o fim da escala 6×1 até o fim de março, o presidente Lula enviará um projeto de lei com regime de urgência, o que obriga a votação em 45 dias.
Flávio Bolsonaro
Boulos também reagiu ao crescimento de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de votos para a Presidência da República neste ano e rejeitou a leitura de que o senador já teria encostado no presidente Lula em um eventual cenário de disputa nacional. Segundo o ministro, a escalada da direita neste momento não antecipa o comportamento do eleitor quando a campanha começar de fato.
“Ah, porque o Flávio Bolsonaro encostou no Lula…. deixa começar a campanha. O Flávio Bolsonaro está querendo vender uma ideia de moderado que é mais falsa que nota de R$ 3. Isso não se sustenta. Na hora que começar o debate, isso não se sustenta”, afirmou.
Na sequência, o ministro atacou diretamente o histórico político do senador e disse que a imagem de moderação não resistirá ao confronto eleitoral.
“Moderado, o cara que andava com miliciano no Rio de Janeiro, o cara que tinha o (Fabrício) Queiroz de chefe de gabinete, o cara que tinha o chefe do escritório do crime, o Adriano da Nóbrega, a família dele toda empregada no gabinete do Flávio Bolsonaro, o cara que foi na rede social pra defender que o Trump tinha que bombardear o Brasil, esse é o moderado?”, indagou.