Busca por ativos seguros põe lucro das mineradoras de ouro em patamar recorde

AngloGold Ashanti e Kinross, que operam em Minas, tiveram grande desempenho no ano passado e começaram 2026 em alta
Mina da Kinross
Kinross e AngloGold registraram expressivos aumentos de ganhos entre 2024 e 2025 Foto: Kinross/Divulgação

A tensão internacional gerou, ao longo dos últimos meses, perdas financeiras e de mercado para muitas empresas. Porém, para um setor da mineração, a instabilidade do mercado foi fonte de lucros. É o que aconteceu, em 2025, com as mineradoras de ouro, metal cuja cotação teve uma alta histórica, tendência que permanece nas primeiras semanas de 2026.

No ano passado, o ouro acumulou valorização de 64%, maior ganho anual desde 1979. O movimento é impulsionado pela busca por ativos considerados seguros, pela política monetária mais flexível nos Estados Unidos da América (EUA), pelas compras consistentes dos bancos centrais — com destaque para o 14° seguido de aquisições pela China, em dezembro — e pelos aportes recordes em fundos negociados em bolsa.

No final de janeiro deste ano, a cotação ultrapassou o patamar de US$ 5 mil a onça (moeda para quantificar o ouro), recorde na história da cotação do metal.

A valorização refletiu positivamente nos balanços de AngloGold Ashanti e Kinross, duas das maiores mineradoras do mundo e atuantes em Minas Gerais.

A AngloGold produziu 3,1 milhões de onças de ouro nas operações globais de 2025. No mesmo ano, a companhia registrou fluxo de caixa livre de US$ 2,9 bilhões. O Ebitda ajustado, indicador que se refere ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, cresceu 129% em relação a 2024, passando de US$ 2,7 bilhões para US$ 6,3 bilhões.

“Em 2025, consolidamos um desempenho consistente em todas as nossas unidades, sempre guiados pelo compromisso fundamental com a segurança e a sustentabilidade. Os resultados refletem uma gestão disciplinada, foco permanente em eficiência e melhoria contínua dos processos”, ressalta o presidente da AngloGold Ashanti na América Latina, Luís Otávio de Lima.   

No Brasil, a AngloGold tem minas em Sabará, Caeté e Santa Bárbara, em Minas; e em Crixás, em Goiás. Na América Latina, está presente também na Argentina. Em termos de volume de produção, não houve grandes diferenças entre 2024 e 2025. No ano retrasado, a empresa produziu 526 mil onças, das quais 351 mil vieram das operações brasileiras. Em 2025, a produção totalizou 505 mil onças no período, sendo 326 mil provenientes das minas brasileiras.

Kinross fala em ‘ano excelente’

A Kinross opera mina em Paracatu, no Noroeste de Minas, e fechou 2025 com uma produção superior a 600 mil onças. Em termos financeiros, “foi um ano excelente”, na definição de J. Paul Rollinson, CEO da empresa. 

“Mais uma vez, atingimos nossas metas”, pontua Rollinson, que aponta, entre os ganhos, a obtenção de margens robustas e a geração de um fluxo de caixa livre recorde de US$ 2,5  bilhões, superior em 85% ao do ano anterior.

Tal resultado financeiro permitiu, segundo ele, a devolução de US$ 1,5 bilhão aos detentores de dívida e capital próprio e o fechamento do ano com um caixa líquido de US$ 1 bilhão. 

“Esses resultados reforçam a consistência de nosso portfólio operacional e nosso rigoroso foco na disciplina de custos”, completa.

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