Pré-candidato à Presidência da República, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), afirmou em entrevista a O Fator que a disputa de 2026 precisa ter mais de um nome da direita no primeiro turno. Segundo ele, esse desenho impediria que uma única candidatura fosse alvo direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Caiado tratou da relação com o estado de Minas Gerais e disse que mantém boa interlocução com o governador Romeu Zema (Novo), além de ter vínculos antigos com o estado, onde passou a juventude:
“O povo mineiro me adora. Eu adoro Minas Gerais. Lá não tem problema, eu me dou bem com o Zema. Eu tenho uma história grande com Minas Gerais, com o setor rural”.
O governador conversou com a reportagem, em Brasília, após uma reunião na quarta-feira (12) com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e outros governadores de direita, inclusive Zema. O encontro foi para tratar do PL Antifacção. Eles discutiram sobre o andamento do texto na Câmara que tem sido relatado pelo deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP).
A segurança pública é a principal bandeira de Caiado e tem sido o tema central das articulações dele em Brasília. Ele afirmou que os governadores solicitaram ser ouvidos antes da conclusão do relatório e que o debate não tem caráter eleitoral, mas atende à prioridade apontada pela população nas pesquisas.
Leia abaixo a entrevista de Caiado a O Fator:
Como foi a reunião dos governadores com Hugo Motta?
Nós tivemos a oportunidade de tratar do assunto da segurança pública. Foram vários governadores. Nós mesmos fizemos um requerimento solicitando que fôssemos ouvidos nessa matéria que tem tanta relevância para a opinião pública. Não é uma discussão eleitoral, é uma discussão prioritária da sociedade brasileira. É o item número um de todas as pesquisas. Então, nós viemos trazer a nossa experiência para que a nossa legislação passe a contemplar as ferramentas de que precisamos para combater o narcotráfico. Essa foi a essência da conversa.
Há alguma outra reunião marcada para a próxima semana dos governadores de direita para tratar desse assunto?
Nós vamos acompanhar o relatório do Derrite. Não tem o texto final ainda. O texto final é que vai dizer como vamos avançar nesse sentido.
A segurança pública é o principal calcanhar de Aquiles hoje do governo Lula?
Isso é uma certeza absoluta. Cada pesquisa mostra o aumento da preocupação da população. É impressionante. Hoje saiu a (pesquisa) Quaest. É mais do que o dobro do segundo lugar, quase daqui a pouco vai dar três vezes mais. É a preocupação do brasileiro.
Como está a organização para as eleições de 2026? Tem vários nomes de direita no páreo, inclusive Romeu Zema de Minas Gerais. O senhor e ele podem entrar num consenso para formar uma chapa?
Eu acho que está na minha tese: vários candidatos no primeiro turno pra a gente chegar no segundo. Não pode ser um candidato só, porque aí o Lula persegue diretamente uma única candidatura. Eu acho inteligente termos vários. E aí o que chegar ao segundo turno terá o apoio.
O senhor deve passar por Minas nesses dias? Tem algo previsto?
O povo mineiro me adora. Eu adoro Minas Gerais. Lá não tem problema, eu me dou bem com o Zema. Eu tenho uma história grande com Minas Gerais, com o setor rural. Meu movimento ruralista foi em Minas Gerais. Então tenho uma tradição muito forte. Até porque nós goianos temos esse lado mineiro.