Câmara discute saída para ‘gargalo’ de trânsito no Belvedere

A duplicação do viaduto faz parte de um pacote de quatro obras de mobilidade acertado entre as prefeituras de Nova Lima e BH
Audiência pública reuniu vereadores, autoridades e moradores. E reforçou a ideia de que o problema é muito complexo. Cristina Medeiros/CMBH

Parece longe de uma solução o gargalo de trânsito existente no bairro Belvedere na altura do BH Shopping, região sul da Capital. Esta semana, a prefeitura de Belo Horizonte decidiu suspender a obra de duplicação do viaduto sobre a BR-356 após a reclamação de alguns moradores da região, de que a duplicação implicaria no corte de 200 árvores de pequeno, médio e grande portes. Na quinta-feira (3), os problemas de trânsito na região do Belvedere foram discutidos em audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

O titular da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), Leonardo José Gomes Neto, explicou que após o protesto contra o corte das árvores, a prefeitura refez o projeto, reduzindo a obra em 25% e, consequentemente, o valor a ser pago pela prefeitura à empresa vendedora da licitação, que, com isso, optou por desistir da continuidade. Com isso, os tapumes que já estavam instalados foram retirados e a Prefeitura irá fazer uma nova licitação. Contudo, segundo informações preliminares de fontes ouvidas por O Fator, a desistência causou um prejuízo de mais de R$ 1 milhão aos cofres municipais.

A duplicação do viaduto faz parte de um pacote de quatro obras de mobilidade acertado entre as prefeituras de Nova Lima e Belo Horizonte, com a participação do Ministério Público de Minas Gerais, para aumentar a fluidez do tráfego na região.

Questionado se seria possível voltar ao projeto original do viaduto, após nova consulta aos moradores, o superintendente da Sudecap afirmou que trata-se uma possibilidade, ressaltando, porém, que isso teria de ser feito em pouquíssimo tempo, para que fosse possível a empresa designada retomar as atividades no local.

Durante a audiência pública, foram muitas as críticas à demora das prefeituras de Belo Horizonte e de Nova Lima em solucionar os problemas de trânsito na região. O presidente da ONG SOS Mobilidade Urbana, José Aparecido Ribeiro, disse que há mais de 30 anos a região enfrenta os mesmos problemas de mobilidade e nada muda.

Para ele, a BHTrans e a Sudecap não acompanharam o crescimento da cidade, que foi ficando sem infraestrutura suficiente para solucionar os problemas do município. “Foi instalada a cultura do puxadinho, dos paliativos”, afirmou.

O vereador Bráulio Lara (Novo) relatou que as obras no Belvedere já estavam previstas em um projeto de 2008, que nunca foi executado. “Precisamos virar páginas em Belo Horizonte”, disse o parlamentar, ressaltando que é necessário mais celeridade e efetividade nas ações. A vereadora Fernanda Pereira Altoé (Novo) acrescentou que a capital mineira está perdendo moradores porque as pessoas não têm perspectiva de desenvolvimento.

Preservação ambiental

A preservação ambiental está presente também em outra obra prevista para a região: a avenida a ser construída, ocupando parte do leito da antiga via férrea por onde era escoado o minério de ferro extraído da mina de Águas Claras, da antiga Minerações Brasileiras Reunidas (MBR).

Presente à audiência pública, o jornalista Benny Cohen, integrante da Associação de Amigos do Bairro Belvedere, manifestou preocupação em relação à obra. Benny chamou atenção para o fato de que a área da antiga ferrovia é uma zona de aquífero. Porém, estudos neste sentido foram levados em conta durante as discussões do projeto antes da sua assinatura, em conjunto, ano passado, por prefeituras de Nova Lima e Belo Horizonte, ministérios públicos Estadual e Federal, e União.

“Toda água que chove no terreno abastece a estação ecológica do Cercadinho”, diz o jornalista. Segundo ele, do jeito que está sendo proposta, com a avenida no centro, “o projeto acabará com a última área verde do bairro”. Contudo, o projeto aprovado pretende ampliar substancialmente o número de parques e áreas preservadas na região. Benny ressaltou, ainda, que há duas leis que protegem o local do ponto de vista ambiental, além de uma terceira que determina a preservação da linha do trem.

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