CGU freia contrato de R$ 90 milhões e força Dnit a refazer contas sobre obras em BR no Jequitinhonha

Erros em massa asfáltica e tapa-buracos fazem órgão cortar R$ 15 mi de edital em MG
Após os apontamentos da CGU, o documento foi reaberto em 19 de abril com parte das correções sugeridas e um valor revisado de R$ 75 milhões. Foto: Divulgação / DNIT

Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou falhas e superestimação de preços no orçamento do edital para a manutenção da BR-367 em Minas Gerais. O trecho é de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A porção de asfalto corta o Vale do Jequitinhonha e conecta cidades como Minas Novas, Turmalina e Diamantina. Os problemas apontados pela CGU fizeram o Dnit cortar R$ 15 milhões do orçamento inicial citado na concorrência.

O documento, publicado na segunda-feira (14), apontou as seguintes imprecisões:

  • Superestimação do serviço de tapa-buraco;
  • Preço elevado da usinagem de concreto asfáltico;
  • Cálculo incorreto da quantidade de usinagem de concreto asfáltico;
  • Alocação inadequada de serviços de limpeza e desobstrução de bueiros.

O edital, divulgado pelo Dnit em 22 de março de 2024, previa um valor de pouco mais de R$ 90 milhões. Após os apontamentos da CGU, o documento foi reaberto em 19 de abril com parte das correções sugeridas e um valor revisado de R$ 75 milhões.

Em seguida, o contrato com a empresa vencedora foi firmado em 10 de junho, no valor de R$ 55 milhões.

As inconformidades

Sobre os valores referentes ao material betuminoso — ou seja, massa asfáltica — o erro identificado pela CGU estava na metodologia adotada, que contraria uma resolução de 2023 da própria Controladoria.

Na planilha do Plano Anual de Trabalho e Orçamento (PATO), a estimativa para aquisição e transporte do cimento asfáltico projetou uma densidade de 2,4 t/m³ e um teor de 6,32%.

No entanto, a resolução da CGU estabelece como procedimentos para elaboração, execução, medição e fiscalização (entre outros critérios), a utilização de valores reais de densidade e teor nas medições dos serviços que envolvam a aplicação de concreto betuminoso. Anteriormente, os valores apresentados eram uma estimativa.

Já sobre o preço elevado da usinagem de concreto asfáltico, a CGU tomou como parâmetro os valores apresentados por uma licitação anterior realizada pelo próprio Dnit. Ao comparar o edital à licitação anterior, o órgão constatou aumento superior a 40% no custo do serviço.

Outro ponto de atenção foi a alocação inadequada de serviços de conservação da faixa de domínio — que engloba pista, canteiros, sinalização e acostamentos — e de limpeza dos dispositivos de drenagem, estruturas que evitam alagamentos e erosão.

Entretanto, esse tipo de serviço não consta em uma resolução publicada no ano retrasado pelo próprio Dnit. O documento serve para orientar o processo de produção dos planos de trabalho e orçamento.

Em resposta a O Fator, o Dnit informou que “manifestou-se favorável ao Relatório Preliminar [da CGU], não apresentando considerações adicionais.” 

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