O acordo de R$ 500 milhões firmado entre a prefeitura de Conceição do Mato Dentro e a Anglo American pode alçar o município à polo universitário e de saúde nos próximos anos. Uma unidade da Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e um hospital serão construídos e custeados com os recursos, mediante investimento de aproximadamente R$ 240 milhões.
Durante oito anos, a previsão é de que o hospital receba R$ 17,5 milhões a cada período de 12 meses. O investimento na universidade será de R$ 10 milhões anuais, por dez anos.
O objetivo é manter o município sustentável e evitar que o fim do ciclo da exploração minerária, estimado para os próximos 70 anos, tenha impacto na economia da cidade. Ou seja, a ideia é preparar a cidade para o encerramento de sua principal atividade econômica.
Ao transformar Conceição do Mato Dentro em um polo universitário, o prefeito Otacilinho (PSB) pretende atrair estudantes de todo o país para o município, gerando recursos.
Engenharia e comércio
Inicialmente, serão oferecidos cursos de Engenharia Civil e Elétrica. “Vamos começar com dois cursos presenciais e já planejamos outros quatro para os próximos quatro anos. Estamos falando de, no futuro, receber 500 universitários por semestre. Em um ano, são mil. Em cinco anos, são cinco mil. Serão cinco mil pessoas que vão comprar numa farmácia, no supermercado. O número é superior aos empregos diretos que a Anglo hoje gera no município”, comemora o prefeito.
A criação do polo universitário tem outro impacto crucial para movimentar a economia: o fomento ao turismo. Afinal, a cidade possui atrativos reconhecidos em todo o território nacional, como a Cachoeira do Tabuleiro, maior cachoeira de Minas e terceira maior do Brasil, centenas de outras quedas d’água catalogadas, igrejas tricentenárias, a Estrada Real, a Cordilheira do Espinhaço (única cordilheira do Brasil) e a gastronomia. “Para quem não sabe, o pastel de angu é de Conceição do Mato Dentro”, orgulha-se Otacilinho.
Hospital
Carente de investimentos em saúde, Conceição do Mato Dentro não tem histórico de atendimento. Literalmente. “Quando eu assumi a prefeitura, em janeiro, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade funcionava sem alvará do Estado. Por isso, não temos séries históricas. Sem as séries históricas, não conseguimos investimentos do Estado e da União”, esclareceu o prefeito.
O acordo com a Anglo American permitirá construir, equipar e custear o hospital enquanto uma série histórica é formulada. Com os dados em mãos, ao final do processo, a prefeitura vai solicitar à União e ao estado o custeio de parte da estrutura. O objetivo é inaugurar o hospital em 2026.
Outros investimentos
Com R$ 100 milhões, a prefeitura promete construir duas alças viárias e cinco avenidas ligando os bairros principais, evitando que ônibus pesados circulem pela área urbana, organizando o tráfego e incentivando o surgimento de bairros planejados.
Já os R$ 160 milhões restantes serão voltados à projetos culturais, esportivos, de lazer, segurança pública, preservação do patrimônio histórico e ações sustentáveis.
Fora do papel
Conforme o prefeito, também ficou acordado a reestruturação de projetos já implantados pela mineradora. “A empresa precisava reparar alguns erros do passado e isso entrou nesse acordo, que vai superar os 500 milhões de reais. A Anglo ficou com a obrigação de melhorar as estruturas das comunidades do Piraquara e de Lavrinha, que eles já tinham reassentado. A empresa vai fazer calçamento, estação de tratamento de água para melhorar a vida da comunidade. E também pedi para fazer um espaço de lazer”.