Clínica investigada no caso Master teve contrato com a saúde pública de Contagem

SSA de Contagem pagou R$ 30 mil pela locação de um ambulatório
Ambulatório alugado pela SSA Contagem Foto: Divulgação / Clinica Mais Médicos

A Clínica Mais Médicos, suspeita de emitir R$ 361 milhões em notas comerciais suspeitas para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master, manteve, durante um ano, um contrato com o Serviço Social Autônomo (SSA) de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O SSA, entidade privada criada pela prefeitura para gerir serviços de saúde, pagou R$ 30 mil pela locação de um ambulatório.

O espaço ficava nas proximidades da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) JK, no bairro do Eldorado. O ambulatório servia para absorver atendimentos de menor complexidade e desafogar os trabalhos da UPA.

O espaço possuía estrutura de porte significativo. De acordo com informações divulgadas pela própria prefeitura, o ambulatório contava com:

  • Recepção;
  • Três consultórios médicos;
  • Sala de medicação rápida com capacidade para atender até cinco pacientes simultaneamente;
  • Sala de observação com três poltronas e uma maca;
  • Três banheiros para pacientes;
  • Copa para funcionários;
  • Área de espera com 34 cadeiras.

O ambulatório foi inaugurado em 25 de agosto de 2023. A O Fator, o SSA de Contagem confirmou o acordo com a Clínica Mais Médicos.

Segundo o órgão, a medida foi adotada para garantir a continuidade da reforma da UPA JK e ampliar o atendimento de pacientes de baixa gravidade, com capacidade operacional de 100 a 120 consultas a cada 11 horas.

O Eldorado, bairro onde ficam a UPA e o ambulatório auxiliar, também abriga a sede da Mais Médicos. A clínica tem um espaço em um prédio comercial em que operam outros empreendimentos, incluindo serviços em saúde.

Em junho, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu representação contra a empresa mineira. O caso foi entregue ao Ministério Público Federal (MPF).

Presidente é suspeita de atuar como laranja de banqueiro

Segundo o MPF, Valdenice Pantaleo de Souza, presidente da clínica, atuava como “laranja” de Daniel Vorcaro, controlador do Master. Valdenice também comanda o Hospital São José, casa de saúde de Contagem que emitiu 213,9 milhões em notas seguindo o mesmo padrão.

“Esse conjunto de elementos, segundo o MPF, reforça a suspeita de que Valdenice teria sido utilizada pelo esquema para artificialmente inflar o patrimônio do Banco Master. Nesse sentido, é possível extrair do caso em exame que determinados emissores, supostamente, vinham emitindo notas comerciais em valores significativamente superiores à sua própria receita bruta, prática que pode mascarar a real condição econômico-financeira da instituição. Assim, essa distorção contábil compromete a adequada precificação dos títulos emitidos, podendo induzir investidores em erro quanto ao risco efetivo dessas operações”, diz trecho da decisão do juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, responsável por autorizar o bloqueio de bens de Vorcaro, do Master e do Banco de Brasília (BRB), que pagou R$ 12 bilhões por uma carteira fictícia de créditos da instituição privada.

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