Codemig vale R$ 33,6 bi, mostram dados oficiais; fatia oferecida à União é de R$ 1,6 bi

Valuation foi divulgado nesta sexta-feira (14) pela Codemge, detinha 51% da estatal até a semana passada
As instalações da Codemig em Araxá
Codemig explora nióbio de Araxá em parceria com a privada CBMM. Foto: CBMM

A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) vale R$ 33,6 bilhões. A projeção consta em um valuation da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), antiga controladora da estatal. O documento foi divulgado nesta sexta-feira (14).

A Codemge, que atualmente detém 5% da Codemig, foi oferecida ao governo federal no âmbito da renegociação da dívida com a União. Assim, a fatia da Codemig presente na proposta de adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) corresponde a aproximadamente R$ 1,6 bilhão.

Até a semana passada, a Codemge possuía 51% das ações da Codemig; os outros 49% pertenciam ao governo do estado. Uma assembleia-geral extraordinária, contudo, inverteu o panorama: o Executivo estadual passou a deter 95%, ante 5% da Codemge.

Ainda segundo o material, elaborado pela Diretoria de Administração e Finanças (DIAF) da Codemge, a acionista da Codemig vale aproximadamente R$ 4,5 bilhões.

Acordo renovado

O carro-chefe da Codemig é a exploração do nióbio de Araxá, no Alto Paranaíba. O ativo mais valioso da empresa não está na operação direta da mina, mas em uma parceria firmada em 1972 com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). O acordo garante à Codemig 25% dos lucros líquidos anuais gerados pela extração do nióbio.

A exploração é feita pela Companhia de Mineração de Araxá (Comipa), sociedade na qual a Codemig participa e a CBMM atua como sócia ostensiva. Todo o minério extraído é vendido exclusivamente à CBMM, com margem de 5% sobre o custo de produção.

O contrato original da parceria tinha prazo até 2032. Em novembro deste ano, as empresas formalizaram a renovação por mais 30 anos, com possibilidade de extensão unilateral por outros 15 anos.

A metodologia usada no valuation foi o Fluxo de Dividendos Descontado (DDM), que projeta os pagamentos aos acionistas até o fim da vida útil da mina. O modelo aplicou taxa de desconto entre 10,8% e 11,8% em dólares, com câmbio calculado a R$ 5,60.

Além dos direitos sobre o nióbio, a Codemig possui um terreno em Belo Horizonte, no bairro Olhos D’Água, com pilha de finos de minério de ferro, e o Centro de Cultura Itamar Franco, no Barro Preto, também em BH.

O que explica a redução da participação da Codemge na Codemig?

Como O Fator já mostrou, a redução da participação da Codemge na Codemig passa pela ideia do governo de Romeu Zema (Novo) de manter o poder público mineiro como acionista majoritário da estatal de nióbio.

Em termos práticos, trata-se de uma nova tentativa de transferir uma fatia minoritária da Codemig à União porque, como revelou O Fator em agosto, a equipe de Zema propôs a modelagem em ofício encaminhado à STN

O órgão federal, entretanto, recusou a hipótese por entender que o decreto que regulamentou o Propag só permite a incorporação de parcelas minoritárias de sociedades anônimas com presença na Bolsa de Valores — o que não é o caso da estatal mineira, que tem capital fechado.

Agora, o governo mineiro ofereceu ao Palácio do Planalto a dação de 100% da Codemge, em um pacote que inclui os 5% da empresa na Codemig.

Em documento remetido ao chefe da STN, Rogério Ceron, Zema e seu vice, Mateus Simões, do PSD, dizem que o percentual da Codemge na Codemig pode crescer em caso de necessidade atinente à renegociação da dívida.

O acréscimo aconteceria para cumprir a regra do Propag que permite o desconto de 20% do passivo por meio da federalização de ativos. Atualmente, a dívida de Minas é superior aos R$ 175 bilhões.

A lista de bens ofertada a fim de fazer jus à prerrogativa dos 20%, entretanto, tem R$ 96 bilhões. A diferença está alicerçada na estratégia do Palácio Tiradentes de listar todos os ativos elegíveis para a renegociação e, posteriormente ao atingimento do percentual, promover exclusões.

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