Integrantes do PT avaliam que será politicamente viável fazer uma oposição propositiva à gestão do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos). Para interlocutores da sigla ouvidos por O Fator, o futuro chefe do Executivo estadual vem dando sinais de que manterá bom diálogo com a ala à esquerda da Assembleia Legislativa (ALMG).
O entendimento é de que o oposicionismo não será tão ferrenho quanto o demonstrado atualmente, sob Mateus Simões (PSD), e antes, durante a era Romeu Zema (Novo). Assim, pontuam, será possível avaliar a postura ante o Palácio Tiradentes caso a caso, conforme o assunto em discussão no plenário e nas comissões.
A relação com o governo de Cleitinho foi um dos temas debatidos pelos deputados estaduais eleitos pelo PT em reunião nessa terça-feira (27). Parlamentares de PV, Psol e Rede Sustentabilidade também participaram do encontro, que também teve como finalidade oficializar o apoio do grupo à candidatura de Doorgal Andrada (PP) à presidência da Casa.
A simpatia do governador eleito pelo fim da escala 6×1, manifestada desde início dos debates sobre o tema no Congresso Nacional, é citada por deputados como um exemplo de que o governador eleito mantém proximidade com pautas historicamente defendidas pelo campo centro-esquerdista.
“A princípio, somos oposição, porque perdemos a eleição. Porém, não há motivo para prévia oposição de fato sem que ele nada tenha enviado à ALMG”, disse, sob reservas, um parlamentar do PT.
“Hoje, o que projetamos na Assembleia Legislativa é um posicionamento entre a oposição programática e a independência”, acrescentou outro deputado.
Conversas mensais
Em entrevista a O Fator na semana passada, Cleitinho revelou possuir a intenção de conversar mensalmente com representantes da oposição a seu governo.
“Quero dialogar com todos, inclusive com a oposição. Quem for de oposição, quero marcar sempre, pelo menos uma vez ao mês, para ouvir cada deputado e saber onde o governo pode melhorar e onde podemos alinhar, sem problemas de chegar à tribuna e me cobrar. A função do Legislativo é essa: fiscalizar. Então, (o governo) tem de ser fiscalizado”, assegurou.
Ainda conforme o senador, há a intenção de manter interface com todos os partidos, do PL ao PT.
“(Em) tudo o que for a favor do povo, de interesse público, estou à disposição para alinhar e conversar, com o maior prazer”, emendou.
Revezamento
Outra diretriz que avançou na reunião dessa terça é de que a presidente estadual do PT, deputada Leninha, deixará a 1ª vice-presidência da Assembleia Legislativa. Como mostrou O Fator, o posto deve ser ocupado por um integrante do PSD na próxima legislatura.
Os petistas ainda negociam o cargo que terão na Mesa Diretora e quem será o parlamentar indicado.