O governador Romeu Zema (Novo) se reuniu no fim da tarde desta terça-feira (12) com o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), Durval Ângelo, em um encontro que abordou temas de gestão e cooperação institucional. Apesar da expectativa de um clima tenso em razão das críticas feitas mais cedo pelo vice-governador Mateus Simões (Novo) ao Tribunal, a conversa foi focada em pautas administrativas e no avanço de projetos em comum.
Também participaram o secretário de Governo, Marcelo Aro, o secretário de Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, a secretária de Planejamento e Gestão, Sílvia Listgarten, a secretária-geral adjunta Ana Tereza Fernandes e o advogado-geral do Estado, Sérgio Pessoa. De acordo com informações apuradas por O Fator, as discussões envolveram a implementação do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), o orçamento estadual para 2026 e a continuidade da mesa de negociação conduzida pelo conselheiro Agostinho Patrus, do TCE-MG.
Foram mencionados processos em andamento no Tribunal relacionados a ações do Executivo, como a reabertura do Hospital Regional de Teófilo Otoni, o funcionamento do Hospital Metropolitano de Lagoa Santa (HML) e parcerias para acelerar análises por meio da Advocacia-Geral do Estado. Também entrou na pauta a cooperação em áreas como o sistema prisional administrado pelas Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (APACs).
Tensões de bastidor
O encontro havia sido marcado desde o dia anterior, mas ganhou atenção após declarações de Simões pela manhã. Ao comentar decisões do TCE-MG que suspenderam três iniciativas do governo — a concessão do lote de rodovias do Vetor Norte da MG-10, a consulta sobre implantação de escolas cívico-militares e um licenciamento ambiental para construção de uma barragem de rejeitos — o vice-governador afirmou que “em algum momento será preciso delegar ao Tribunal de Contas a administração do Estado”.
Poucas horas depois, Durval Ângelo divulgou uma nota defendendo a atuação do Tribunal. Ressaltou que o TCE “não administra, não legisla e não executa políticas públicas” e que sua função constitucional é exercer o controle externo, avaliando legalidade, legitimidade e economicidade dos atos do Executivo. Disse ainda que as decisões têm fundamento técnico e jurídico, baseadas em representações de parlamentares, órgãos públicos ou sociedade civil, e que o objetivo é assegurar conformidade legal, transparência e proteção ao patrimônio público.
Outro foco
Na reunião desta terça, não houve menção direta às declarações do vice-governador nem à nota divulgada pelo presidente do TCE. A conversa se manteve dentro da agenda previamente definida, com destaque para a necessidade de agilizar a análise de processos, fortalecer parcerias e manter o alinhamento institucional em projetos de interesse comum.
O encontro durou cerca de uma hora e foi avaliado por participantes como de alto nível e respeito mútuo, sem confrontos diretos ou retomada das críticas feitas horas antes.