Como renúncias no topo do GPA consolidam o avanço da família mineira Coelho Diniz

Saídas de nomes ligados ao grupo europeu Casino e nomeação ex-Pizza Hut e KFC para CEO reforçam nova gestão da varejista
A família mineira Coelho Diniz detém 24,5% das ações do grupo GPA. Foto: Divulgação GPA

As renúncias de figuras centrais do Grupo Pão de Açúcar (GPA), dono das redes Extra e Pão de Açúcar, no fechamento de 2025 ampliam o espaço para que a família Coelho Diniz assuma a condução estratégica da companhia. O movimento sinaliza o enfraquecimento definitivo da influência do grupo francês Casino na governança da varejista, quadro que foi ratificado pelo anúncio do novo presidente da empresa, Alexandre Santoro, no dia 5 de janeiro.

Santoro deixou o cargo de CEO Global da International Meal Company (IMC), função que ocupava desde abril de 2021, para assumir o cargo.

Comunicados enviados ao mercado em 10 e 23 de dezembro oficializaram os desligamentos de Tufi Daher Filho e Edison Ticle. Ambos os executivos eram associados ao arranjo institucional formado quando o acionista europeu ainda exercia papel dominante na organização. 

Essas mudanças ocorrem após uma inversão no equilíbrio acionário da rede ao longo de 2025.

Historicamente controlada pelo Casino, a companhia passou a responder a novos centros de poder após sucessivos aportes da família Coelho Diniz, originária de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. 

Em agosto, os empresários mineiros elevaram a participação para 24,6% das ações, ultrapassando a fatia dos franceses, que recuou para cerca de 22,5%.

Troca de guarda

Tufi Daher Filho renunciou em 10 de dezembro ao posto de presidente do Conselho Fiscal, e foi substituído pelo suplente David Alegre. 

Com trajetória vinculada às estruturas de controle montadas na fase áurea do Casino, a  saída de Daher simboliza o distanciamento de um modelo identificado com a arquitetura anterior do GPA.

Já Edison Ticle apresentou renúncia em 23 de dezembro aos cargos de vice-presidente do Conselho de Administração e coordenador do Comitê Financeiro. 

Considerado um técnico de alto perfil no mercado, Ticle desempenhou papel relevante na reorganização financeira da empresa durante a fase mais aguda da mudança acionária. No mercado, a saída dele é interpretada como o encerramento da etapa de transição que permite ao novo bloco de controle imprima a própria marca na gestão.

A companhia, aliás, voltou a operar no azul no terceiro trimestre de 2025, registrando lucro líquido de R$ 137 milhões, um contraste com o prejuízo de R$ 310 milhões no mesmo período de 2024.

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