Presidente do PL em Minas Gerais, o deputado federal Domingos Sávio diz que a filiação do senador Carlos Viana ao PSD não muda seus planos de também concorrer à Casa Alta do Congresso Nacional. Antes do embarque de Viana, pré-candidato à reeleição, os pessedistas haviam sinalizado o interesse de receber, na coligação encabeçada pelo governador Mateus Simões, um candidato ao Senado indicado pelo PL, em dobradinha com o secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro, do PP.
A O Fator, Sávio afirmou que uma eventual aliança com outros partidos, como o PSD, precisa levar em conta a divisão de espaços na chapa.
“Quanto a (uma) composição para o governo do estado, realmente isso precisa ser avaliado, pois composição para o governo pressupõe que ocorra compartilhamento entre os partidos dos cargos majoritários. O PL é um partido de expressão nacional e seguramente terá uma participação decisiva na eleição de Minas, podendo se coligar ou lançar candidatura própria”, pontuou.
O dirigente pretende se reunir com a cúpula nacional do PL em Brasília (DF) a fim de avaliar a conjuntura eleitoral em Minas. Como O Fator já mostrou, a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro só deve avançar no debate sobre a formação de alianças após o término da janela partidária, em 3 de abril. O objetivo principal é montar um palanque que dê sustentação ao senador Flávio Bolsonaro (RJ) na corrida à Presidência da República.
“Quanto à minha pré-candidatura ao Senado, isso (a filiação de Viana ao PSD) não muda nada, pois Viana, indiferente do partido, seria um concorrente. Porém, esclareço que tenho boa convivência com ele e não o vejo como adversário, mas apenas como um concorrente — e até mesmo parceiro, pois seguramente podemos ter votos juntos independentemente de composição majoritária”, assinalou.
A aliança entre o PL e Mateus Simões vinha sendo defendida, sobretudo, pelo deputado federal Nikolas Ferreira. Paralelamente, outra ala do partido é simpática à hipótese de caminhar com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) caso ele decida se lançar na sucessão estadual.
A possibilidade de chapa própria, mencionada por Domingos, encontra amparo em uma terceira franja do PL. Um dos nomes cotados para encabeçar a empreitada é o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, que acertou a entrada nos quadros liberais e prepara, para esta quarta-feira (1°), a desincompatibilização da entidade empresarial.
Simões vê PL mais distante
Mais cedo, durante agenda em Belo Horizonte, Mateus Simões admitiu que Carlos Viana pode ser, ao lado de Marcelo Aro, um de seus candidatos ao Senado. Na avaliação do governador, o ingresso de Roscoe no PL sinaliza a disposição dos liberais de montar uma chapa própria ao Executivo estadual.
“Se ele (Viana) se filiar, tenho uma segunda vaga ao Senado, que a gente estava discutindo com o PL, mas o PL, aparentemente, está filiando um candidato a governador nesta semana. Isso está me parecendo que o PL está dizendo que não tem interesse, neste momento, na composição. Daqui até a eleição tem muito tempo. Pode acontecer muita coisa. Mas a vinda do Viana não significa nada além do fato de que a gente teria um segundo candidato ao Senado”, sentenciou.
Costura nacional para Viana
Como O Fator mostrou mais cedo, a costura que levou Viana de volta ao PSD após cinco anos foi tecida nacionalmente. A boa relação entre o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e o presidente nacional pessedista, Gilberto Kassab, foi fundamental para o desfecho positivo.
As tratativas começaram na semana passada, em meio a um jantar entre Simões e Viana. Depois, Kassab entrou em cena. Segundo Viana, houve a validação da direção estadual da sigla e dos deputados.
