A Prefeitura de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), desativou o serviço de videomonitoramento dos prédios públicos municipais — o que inclui secretarias, o edifício-sede do poder Executivo local e até um cemitério. O contrato com a empresa responsável pelas imagens foi rescindido em 1° de agosto, segundo ofício obtido por O Fator. Em vigência desde outubro de 2022, o acordo custava aos cofres públicos da cidade cerca de R$ 155 mil mensais.
A medida decorre do decreto de contingenciamento assinado pela prefeita Marília Campos (PT) em maio deste ano. O corte de gastos, inicialmente, foi de R$ 108 milhões. Em julho, porém, o valor foi revisado para R$ 67 milhões.
No documento de rescisão, a prefeitura diz que a “atual situação financeira do município exige medidas rigorosas de contenção de despesas”.
O sistema de videomonitoramento de Contagem era composto por 236 câmeras, divididas por 39 locais da cidade.
“O Decreto 1.574/2025, publicado no Diário Oficial do município de 17 de maio de 2025, determina a reavaliação e encerramento de contratos administrativos que não sejam considerados essenciais ou estratégicos, diante da necessidade de ajuste fiscal”, lê-se em trecho do texto.
O serviço de videomonitoramento era utilizado não apenas para segurança patrimonial dos prédios administrativos, mas também como ferramenta de dissuasão em locais vulneráveis.
No caso dos cemitérios, por exemplo, interlocutores ouvidos pela reportagem relataram que as câmeras foram instaladas diante do aumento de ocorrências como furto de cadáveres, consumo de drogas e práticas de cunho sexual dentro das instalações.
Em vez de aluguel, câmeras próprias
Em resposta à reportagem, a Prefeitura de Contagem explicou que pretende substituir o modelo atual de contrato. Em vez de alugar as câmeras, o município vai adquirir os equipamentos.
“Devido à necessidade de manter o monitoramento, a STI (Secretaria Municipal de Tecnologia da Informação) informa que irá adquirir os equipamentos em definitivo e instalá-los nos mesmos locais onde hoje estão os dispositivos alugados e de alto custo. Somente com a economia do encerramento do contrato e com a compra das novas câmeras, a Prefeitura prevê uma economia de cerca de R$ 5 milhões nos próximos 36 meses, realizando uma gestão responsável com o dinheiro público.”
Sobre a segurança dos espaços públicos, a Prefeitura afirmou que, além das câmeras, há também a presença de vigilantes e da Guarda Municipal, “fatores igualmente importantes, que atenuam a ausência momentânea dos equipamentos”.
