Um dos motivos que fizeram com que as conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) sobre a disputa ao governo de Minas Gerais nas eleições deste ano não avançaram nos últimos dias foi a falta de definição partidária por parte do parlamentar.
Enquanto isso, lideranças do PT no estado se sentem à margem das articulações e permanecem em banho-maria quanto à organização partidária. De outro lado, aliados do senador estão preocupados com o prazo, já que a janela partidária de 30 dias sem perda do mandato se inicia em 6 de março e esse grupo precisa viabilizar a saída do PSD.
O petista desembarcou em Brasília na quarta-feira (25) após cumprir missão oficial à Índia, à Coreia do Sul e aos Emirados Árabes Unidos, diante da expectativa de correligionários, especialmente os mineiros, sobre definições relacionadas ao quadro do estado. Lula, inclusive, se encontra nesta quinta-feira (26) com o presidente nacional do PT, Edinho Silva.
O dirigente partidário desmarcou agenda com lideranças e deputados do diretório do partido em Minas, que teria em Belo Horizonte nesta quinta-feira, em função da chegada do presidente. Já do lado de Pacheco, a reportagem apurou que, por ora, nada mudou, por mais que aliados estejam animados com a possibilidade de ele concorrer ao governo.
A “esperança” ocorre em função da mudança de postura dele, já que falava em sair da vida pública até o ano passado. O senador tem mantido conversas sobre uma filiação ao MDB diante da incerteza sobre a posição do União Brasil, que forma federação com o PP, se vai apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Como mostrou O Fator, mesmo se não for candidato ao governo mineiro, ele não pretende se filiar a um partido com alinhamento à direita. A filiação ao União Brasil seria confirmada se o partido liberar os diretórios estaduais para terem independência nos palanques.
Em Minas, ele conseguiu emplacar seu aliado, o deputado federal Rodrigo de Castro, no comando da sigla, mas não há clareza sobre qual será a posição do diretório nacional. Ao mesmo tempo, o PL tenta atrair a federação partidária para o seu arco de alianças.
Filiação não é garantia de candidatura
Desde o ano passado, parlamentares próximos a Pacheco aguardam que ele defina para qual partido irá migrar, para então acompanhá-lo, e, principalmente, se será ou não candidato ao governo de Minas Gerais, com de Lula nas eleições deste ano.
Aliados afirmam, no entanto, que mesmo após a definição da filiação partidária e diante de pedido do presidente Lula para que seja candidato, não há certeza de que ele disputará o comando. De todo modo, Pacheco já teria dito que pretende manter protagonismo no cenário estadual.