Copam aprova ampliação de reaproveitamento de rejeitos da Vale em Itabirito

Conselho ambiental também autorizou aumento, em cinco vezes, de produção de ferro em Guanhães
Barragem Vargem Grande, da Vale, entre Nova Lima e Itabirito

O Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) aprovou, nesta sexta-feira (23), pedido da Vale para ampliar o reaproveitamento de rejeitos dispostos em barragem localizada no município de Itabirito, na Região Central de Minas Gerais.

Na mesma reunião, o órgão autorizou a ampliação da produção de minério de ferro pela mineradora MIG, em Guanhães, no Vale do Rio Doce.

Ambos os pedidos receberam sinal verde de todos os 12 conselheiros, que representam órgãos públicos estaduais e federais, além de entidades empresariais, organizações não governamentais (ONGs) e a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).

Com a autorização, a Vale poderá ampliar em 2,5 mil toneladas por ano o reaproveitamento de rejeitos da barragem Maravilhas II, chegando a um volume total de 8.129 t/ano. A companhia pretende beneficiar o minério de ferro presente nos rejeitos na Instalação de Tratamento de Minério da mina do Pico – todas as estruturas fazem parte do complexo minerário de Vargem Grande.

A licença ambiental concedida pelo Copam também permite à Vale ampliar a quantidade de rejeitos dispostos em duas cavas do complexo minerário.

À Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), a mineradora explicou que a barragem Vargem Grande está em processo de descaracterização e, por isso, o rejeito acumulado na estrutura precisou ser despejado na cava Galinheiro, sob licença ambiental concedida no ano passado. O espaço, no entanto, não teria sido suficiente, uma vez que o reaproveitamento do rejeito apresentou performance abaixo do esperado, o que diminuiu a vazão do material.

Com a autorização, a cava Galinheiro poderá receber mais 457,8 mil metros cúbicos de rejeito, somando ao todo 2,3 milhões de m³.

Além disso, a cava Sapecado, também em Vargem Grande, receberá 3,65 milhões de m³ de estéril. A estrutura, aponta a Vale, não será alvo de extração de minério de ferro até 2036, devido à qualidade do minério encontrado.

As ampliações não alterarão a área diretamente afetada do complexo minerário.

Mineração em Guanhães

No caso da MIG, do grupo SM Metais, de propriedade da família Salazar, a mineradora está autorizada a quintuplicar a atual produção, de 300 mil toneladas por ano, para 1,5 milhões t/ano.

Trata-se de um avanço importante na capacidade produtiva da empresa, que, apesar do aumento, ainda continuará com porte pequeno quando comparado com o das grandes mineradoras (o complexo de Vargem Grande, por exemplo, produziu no ano passado 36 milhões de toneladas de minério de ferro).

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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