Criticados por Zema, países do Brics compraram 42% das exportações mineiras em 2024

Nesta semana, governador defendeu a saída do Brasil do bloco integrado pela China, maior importadora de produtos do estado
zema na china
Encontro entre Zema e Yin Hong, titular do mais alto cargo do Poder Executivo na província de Jiangxi, na China, em 2024. Foto: Aluísio Eduardo / Digital MG

Os 10 países que, além do Brasil, compõem o bloco dos Brics, compraram 42% dos US$ 41,9 bilhões exportados por Minas Gerais em 2024. Criticada pelo governador Romeu Zema (Novo) nesta semana, a coalizão importou US$ 17,6 bilhões — cerca de R$ 97,6 bilhões na cotação atual — em mercadorias produzidas pelo estado. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

As declarações de Zema contra os Brics aconteceram no âmbito dos debates sobre o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos da América (EUA) ao Brasil. Na terça-feira (29), durante entrevista ao UOL, o governador associou a decisão da Casa Branca ao alinhamento brasileiro ao bloco que tem nações como China, Índia, Rússia e África do Sul. Segundo o político do Novo, a participação no Brics “não agrega nada” ao país.

A China ocupa a primeira posição na lista de exportadores de produtos mineiros. No ano passado, o país investiu US$ 15,4 bilhões (aproximadamente R$ 85,4 bilhões) em mercadorias oriundas do estado.

De acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Minas Gerais atingiu, em 2024, o maior valor anual da história no que diz respeito às exportações. Lideram o ranking minério de ferro (29,95%), café (18,7%), soja (6,99%), açúcar (5,67%) e ferroligas (5,4%), que, juntos, somaram quase US$ 30 bilhões.

Os Brics têm, ainda, a participação de Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

Escalada de críticas

A declaração dada ao UOL foi a primeira crítica pública de Zema aos Brics nesta semana.

“Temos aí, hoje, o Brics querendo questionar tudo. É um grupo que também desagrada muito aos americanos. É um grupo que não agrega nada ao Brasil. Não estamos falando de países que têm a mesma cultura que a nossa. Não estamos falando de países cristãos. Não estamos falando de países democráticos. É um aglomerado de países que parece querer questionar a ordem mundial sem ter nenhuma proposta concreta”, afirmou.

Na quarta-feira (30), durante evento na Fiemg, o chefe do Executivo estadual voltou a relacionar a participação brasileira na aliança à sanção econômica dos EUA.

“Vamos olhar os países dos Brics. Tem algum país cristão lá? Tem algum país do Ocidente lá?”, questionou.

A escalada de críticas continuou nessa quinta-feira (31), em artigo assinado por Zema na Folha de S. Paulo. Ele utilizou o texto para defender a saída do Brasil dos Brics e a entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), bloco composto por 36 nações — com os EUA entre elas.

“Hoje, o Brics é nada mais que política interna disfarçada de política externa. É uma ferramenta útil apenas para um grupo de líderes autoritários que gostam de sinalizar sua oposição ao mundo ocidental, particularmente contra os Estados Unidos. Boa parte da culpa pelo tarifaço que enfrentamos hoje tem origem justamente nesse alinhamento errático”, escreveu.

O Fator entrou em contato com o governo de Minas Gerais para saber se os números do governo federal coincidem com os dados do estado. Caso haja manifestação, este texto será atualizado.

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