A bordo de um motorhome transformado em estúdio multimídia, uma equipe do Instituto Bem Ambiental (Ibam) inicia, neste sábado (1º), uma expedição de dez dias de Belo Horizonte a Belém, cruzando quatro dos seis biomas brasileiros, para mostrar à sociedade civil, ao poder privado e aos governos que ações simples de planejamento urbano podem transformar realidades e reduzir impactos resultantes das mudanças climáticas, como enchentes, secas e ilhas de calor.
“A agenda da adaptação às mudanças climáticas não é tão debatida quanto a mitigação, mas ela é tão importante quanto. Se mencionarmos enchentes, secas prolongadas, falta de água ou aumento de doenças como dengue e chikungunya, estamos tratando de fenômenos que já afetam nossas cidades”, afirma o arquiteto e urbanista Sérgio Myssior, presidente do Ibam e diretor do Grupo Myr, que lidera a expedição ao lado do biólogo Thiago Metzker.
A jornada, chamada “Road to COP 30 – Agenda de Ação em Movimento”, chega à capital paraense no dia 9 de novembro, véspera da abertura da conferência global da ONU sobre o clima.
A expedição vai produzir vídeos, entrevistas e transmissões ao vivo que serão disponibilizadas em www.jornadacop30.com.br e nas redes do Ibam. O material dará origem a um documentário, um podcast, uma exposição fotográfica e um livro-reportagem sobre as vozes e as soluções encontradas ao longo da estrada.
Roteiro
De Belo Horizonte, o grupo segue para Curvelo, Paracatu, Brasília (DF), Palmas (TO), Imperatriz (MA) e Paragominas (MA), até chegar a Belém (PA). Ao longo do caminho, a equipe vai registrar iniciativas que combinam sustentabilidade ambiental e benefícios econômicos, mas, também, locais que precisam de intervenção.
“Queremos traduzir a agenda global do clima para o dia a dia das pessoas”, explica Myssior.
Como exemplo dessas ações estão jardins de chuva, caixas de retenção de água e projetos de drenagem natural, que captam água das chuvas e ajudam a prevenir enchentes. Em alguns casos, a água pode ser reaproveitada para lavar estruturas, regar jardins ou outros.
A viagem culmina com a inauguração do Pavilhão Cidades Resilientes, espaço oficial coordenado pelo Ibam dentro da Blue Zone, área restrita de debates e negociações multilaterais da COP 30, em parceria com o Grupo Myr, o Conselho Federal de Química (CFQ) e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR).
Zona Azul
Com experiência reconhecida pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, o Ibam atua há uma década em projetos de adaptação urbana e resiliência climática, apoiando territórios, comunidades e municípios na criação de políticas públicas capazes de reduzir vulnerabilidades. Desde a COP 26, o instituto é entidade observadora credenciada junto à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).
O Pavilhão Cidades Resilientes, que o Ibam coordenará em Belém, será o primeiro espaço brasileiro dedicado exclusivamente à adaptação urbana. Durante a COP 30, o local reunirá representantes de governos, universidades, entidades técnicas e organismos internacionais para discutir infraestrutura verde, drenagem sustentável, transição energética, financiamento climático e educação ambiental.
A equipe do Ibam também quer chamar atenção para o impacto social da crise climática. Segundo Myssior, um estudo realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte em 2016 já indicava que, sem mudanças estruturais, 68% dos bairros da capital estariam em alta vulnerabilidade até 2030. Conforme ele explica, as mudanças climáticas não são democráticas: atingem com mais força quem já vive com carência de infraestrutura e serviços.