Declarações de Barroso empurram para frente decisão de Pacheco sobre governo de Minas

Entre disputar o governo de Minas e a chance de ser indicado ao STF, senador aguarda sinais de Brasília e de Barroso
Barroso
Após deixar a presidência do STF, o ministro Luís Roberto Barroso, disse que vai fazer um retiro espiritual antes de tomar qualquer decisão sobre o seu futuro. Foto: Antonio Augusto/STF

O que já preocupava aliados do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) sobre o seu futuro político e partidário ganhou ainda mais força com as declarações recentes do ministro Luís Roberto Barroso. O magistrado deixou a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira (29) sem revelar se vai se aposentar antecipadamente da Corte.

Em entrevistas de despedida, Barroso evitou confirmar ou negar planos para além da Corte. Falou sobre um retiro espiritual marcado para outubro, mencionou estar feliz no Supremo, mas também reconheceu sentir que já cumpriu seu papel. Entre frases de efeito e respostas abertas, deixou margem para interpretações que aumentaram a incerteza no cenário político mineiro.

No entorno do ex-presidente do Senado, a avaliação é direta: sem uma definição de Luís Roberto Barroso, Rodrigo Pacheco não pretende anunciar tão cedo seus próximos passos. O cálculo é que, se confirmar agora a candidatura ao governo de Minas, seu nome perde força nas articulações para uma eventual vaga no Supremo, caso o ministro decida se aposentar.

Fontes ouvidas por O Fator lembram que decisões rápidas nunca foram o forte de Pacheco, conhecido entre aliados pela cautela em excesso. Para elas, mais 30 dias de espera não representam novidade diante de quem sempre conduziu processos gradualmente. Ainda assim, parlamentares próximos esperavam uma definição já em outubro. Isso, agora, deve ficar para novembro.

Outro ponto considerado pelo ex-presidente do Senado é que o cenário nacional interfere diretamente nos palanques estaduais. Nada, porém, será decidido sem uma sinalização de Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030 por duas decisões da Justiça Eleitoral e condenado pela Primeira Turma do Supremo a 21 anos e três meses de prisão por golpe de Estado.

A dúvida é se o ex-presidente do PL apoiará o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como candidato ao Palácio do Planalto no próximo ano. A partir dessa definição, Pacheco e outros nomes interessados nesse movimento acreditam que será possível avançar em conversas mais concretas sobre alianças e projetos para 2026.

Possibilidades

Na mesa de Rodrigo Pacheco estão diferentes caminhos. No campo partidário, MDB, PSB e União Brasil disputam para atrair o senador e lançá-lo candidato ao governo de Minas. No próprio PSD, ele enfrenta resistências. A ala estadual da legenda trabalha para filiar o vice-governador mineiro, Mateus Simões (Novo), e o defende como nome para a disputa ao comando do estado em 2026.

Por outro lado, para tentar uma vaga no STF, Pacheco dependeria não apenas de uma eventual aposentadoria antecipada de Barroso, mas também da indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente, porém, hoje prefere contar com o senador como palanque em Minas Gerais na disputa pelo governo do estado.

Além disso, outros aliados próximos de Lula também almejam a cadeira na Suprema Corte. Entre eles estão o advogado-geral da União, Jorge Messias; o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas; e a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha.

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